Faz, por esta altura, 20 anos que Timothy Berners-Lee, investigador no CERN, deu a conhecer ao mundo um novo e inovador processo de troca de informações entre os membros do meio científico. Inicialmente, o uso desta ferramenta foi marcadamente militar (a ArpaNet), mas rapidamente se massificou, dando origem ao que hoje chamamos Internet, «world wide web», actualmente já em «evolução» para o conceito «web 2.0». Se, por um lado, temos uma infinidade de informação de extrema utilidade à distância de um simples «clique», muitos problemas se colocam, como no respeito pela privacidade, pelos direitos de autor, falsas identidades, etc., etc., etc.
Situação verdadeiramente caricata, e que acontece frequentemente, foi o que aconteceu ao próprio «criador» da internet. Berners-Lee, por altura do Natal, comprou «on-line» um presente numa loja que, na realidade, não existia. O «engraçado» da questao é ter sido o próprio impulsionador da ferramenta a sofrer uma das piores consequências da mesma, 20 anos depois de ter dado início a um verdadeiro «choque tecnológico».
Há quase um ano que o Provedor de Justiça terminou o seu mandato, sem que, até ao momento, os partidos com maior representação parlamentar se tenham entendido quanto ao seu sucessor. A «novela» vai já ganhando contornos de «comédia à portuguesa», como diz o próprio dr. Nascimento Rodrigues. Mas vai mais longe, colocando o «dedo na ferida» de uma forma contundente: «O PS já ocupa todos os altos cargos públicos, faz lembrar o Zeca Afonso: “eles comem tudo”». Já era mais ou menos notória a matriz «tentacular» do exercício do poder por parte dos socialistas, que, agora, parece acentuar-se. Ficam algumas frases, particularmente interessantes, enquanto os nossos políticos continuam, entretidos, à «guerrinha», em vez de fazerem o que devem, e resolverem os problemas do país.
Parto, desde logo, da premissa de que não detemos a verdade toda, mas parece que, neste caso, não será propriamente grave, ao que se lê por aí. O Papa Bento XVI terá afirmado, de uma forma um tanto «enigmática», que o problema da Sida «não se pode resolver com a distribuição de preservativos», e que, «pelo contrário, isso só irá complicar a situação». Mais do que os números, que ajudam, de certa forma, a provar o contrário, sabemos que cerca de 30% das instituições que ajudam no combate à Sida estão, de uma forma ou outra, ligadas à Igreja, e sabemos que fazem distribuição de preservativos sem qualquer reserva.
Segundo noticia o jornal «Público» de hoje, o edifício do arquivo municipal de Colónia desabou, no passado dia 3 de Março, devido às obras que estavam a ser realizadas pelo metropolitano da cidade. Neste momento, ninguém sabe muito bem o que se perdeu nem o que se poderá salvar. Na hora «H», depois de se terem apercebido do que estava para acontecer, só houve tempo para evacuar o edifício. O que foi apurado é que 90% do acervo está, neste momento, debaixo dos escombros, desde um conjunto vasto de documentos medievais, a éditos assinados pelo punho de Napoleão, espólios inteiros de escritores, etc. Há, debaixo dos escombros, artigos de Karl Marx, partituras de Jacques Offenbach e Brüch. Estima-se que as prateleiras do edifício, repletas de documentos, perfaziam 27 quilómetros lineares. Sabe-se também que há microfilmes de uma parte do material, mas o que é certo é que já se perdeu um conjunto considerável de elementos fundamentais para se perceber e estudar o passado, a memória, a identidade daquela cidade, do país, da europa, do mundo, já que Colónia assumiu particular importância logo desde o ano 39, sendo, a mais antiga cidade alemã. O valor destas coisas é sempre questionável, mas há quem avance com a cifra de 400 milhões de euros.
Time and Space
Ao fim de tarde de hoje faltou apenas a «banda sonora» do álbum «When you know», de Dianne Reeves. O sol na medida certa, a companhia fantástica, a vista inspiradora. Apesar da luta do exercício de técnicas de composição, aquele domingo pachorrento e entediante não veio hoje. Antes me puxou para a claridade, para a serenidade, para dentro. Faltou apenas, de facto, a voz quente e envolvente de Dianne Reeves. Como expressão sonora deste domingo que me abriu a porta para o sol, para outro sítio de onde olhar as coisas. Passou a tarde, passou o sol, ficou a voz de Dianne Reeves. Que acabou por fechar, com «chave de ouro», a viagem do dia, caminhada ao longo do percurso que o sol desenhou até ao horizonte.
Durante a tarde, o deputado Emídio Guerreiro, do PSD, foi o orador convidado para uma conferência sobre Educação. Mais do que uma conferência, foi quase uma lição, dada por quem está perfeitamente à vontade na matéria (e tem a honestidade suficiente para responder que não está à vontade quando, de facto, não está). Afinal, se calhar os problemas da Educação não são assim tão difíceis de resolver, se a virmos com os «óculos» que temos de ver, os de um investimento a longuíssimo prazo. Afinal, há um outro tipo de Escola possível e desejável, mais autónoma, mais capaz de se gerir e de se melhorar a si própria. Afinal, as reformas não se fazem contra os agentes dessa mesma reforma: os professores, os pais, os alunos. Afinal, ainda há algumas (boas) razões para acreditar em alguns (bons) políticos.
Há alguns dias que o «site» do jornal «Público» está a acompanhar, através de vídeo em directo, um «condoninho» (condomínio/ninho) de cegonhas, algures no cimo de um poste de muito alta tensão, na lezíria do Ribatejo. Se tudo correr como previsto, em Abril poderemos assistir ao nascimento da Renata, a cegonha que, neste momento, ainda está dentro do ovo do Sebastião e da Bia. O projecto de preservação e divulgação da espécie conta com vários parceiros, a saber: Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), RTP, Telcabo, Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), Redes Energéticas Nacionais (REN) e jornal «Público». A uma altura de 32 metros, podemos acompanhar o dia-a-dia de uma espécie curiosa, que convive de perto com o perigo das linhas de alta e muito alta tensão. Vale a pena ver
Após a inusitada tirada metafórica do Ministro Augusto Santos Silva («Gosto é de malhar na Direita»), uma colega de ofício mostrou-me hoje outra interessante posição socialista, desta vez mais direccionada «para dentro», mas nem por isso menos acutilante. Em entrevista ao Rádio Clube Português, o ex-deputado Carlos Candal, esse ícone da retórica política, disse: «Não é pensável que o Manuel Alegre faça o que tem feito, e continue a fazer, sem levar um chuto». Mas não se ficou por aqui. Imbuído da inspiração que lhe é característica (e, eventualmente, na senda do deputado José Lello), rematou: «Punham-lhe um processo disciplinar e ia à vida». Depois de trocas de insultos no Parlamento, de discussões mais acaloradas no seio do PS, agora estas frases deliciosas. É nesta gente que os portugueses vão confiando.
Cinco anos depois dos atentados na estação ferroviária de Atocha, em Madrid, volta a tocar-se, mesmo que ao de leve, na ferida do medo, da vulnerabilidade a que estamos sujeitos, mesmo com a omnipresença da videovigilância ou da facilidade em localizar alguém através das tecnologias que usa (multibanco, telemóvel, etc.). Também o Tibete volta a estar na ordem do dia, quando passam 50 anos da ocupação chinesa, ou, mais brandamente, da altura em que a China «passou a chamar China também ao Tibete». O próprio Dalai Lama endureceu o seu habitual discurso de fluida harmonia e equilíbrio, insurgindo-se claramente contra esta imposição de uma nacionalidade pela força a um território que pugna por ter outra autonomia. Neste preciso dia, Tim Kretschmar, de 17 anos, entrou armado com uma pistola «Beretta» e um cinto de explosivos numa escola de Winnenden, na Alemanha, disparando aleatoriamente contra quem se foi cruzando no seu caminho. À saída, continuou a saga, disparando contra civis e contra a própria polícia alemã.