20 de Março de 2009 – Os 20 anos da internet

web-2.0Faz, por esta altura, 20 anos que Timothy Berners-Lee, investigador no CERN, deu a conhecer ao mundo um novo e inovador processo de troca de informações entre os membros do meio científico. Inicialmente, o uso desta ferramenta foi marcadamente militar (a ArpaNet), mas rapidamente se massificou, dando origem ao que hoje chamamos Internet, «world wide web», actualmente já em «evolução» para o conceito «web 2.0». Se, por um lado, temos uma infinidade de informação de extrema utilidade à distância de um simples «clique», muitos problemas se colocam, como no respeito pela privacidade, pelos direitos de autor, falsas identidades, etc., etc., etc.

Situação verdadeiramente caricata, e que acontece frequentemente, foi o que aconteceu ao próprio «criador» da internet. Berners-Lee, por altura do Natal, comprou «on-line» um presente numa loja que, na realidade, não existia. O «engraçado» da questao é ter sido o próprio impulsionador da ferramenta a sofrer uma das piores consequências da mesma, 20 anos depois de ter dado início a um verdadeiro «choque tecnológico».

19 de Março – «Eles comem tudo»

visaoHá quase um ano que o Provedor de Justiça terminou o seu mandato, sem que, até ao momento, os partidos com maior representação parlamentar se tenham entendido quanto ao seu sucessor. A «novela» vai já ganhando contornos de «comédia à portuguesa», como diz o próprio dr. Nascimento Rodrigues. Mas vai mais longe, colocando o «dedo na ferida» de uma forma contundente: «O PS já ocupa todos os altos cargos públicos, faz lembrar o Zeca Afonso: “eles comem tudo”». Já era mais ou menos notória a matriz «tentacular» do exercício do poder por parte dos socialistas, que, agora, parece acentuar-se. Ficam algumas frases, particularmente interessantes, enquanto os nossos políticos continuam, entretidos, à «guerrinha», em vez de fazerem o que devem, e resolverem os problemas do país.

«Dito isto, é verdade que não estou satisfeito e acomodo-me mal por me ver obrigado a permanecer no exercício de um mandato cujo prazo legal está longamente excedido. Ao fim e ao cabo, sou Provedor de Justiça desde 9 de Junho de 2000. Sou uma espécie de “Provedor Matusalém”».

«É apenas uma comédia à portuguesa! Quanto tempo mais acha sustentável manter esta situação sem que isso comece a afectar de forma notória, quer o funcionamento interno da Provedoria, quer os níveis de confiança da comunidade neste organismo, cujo rumo persiste em não ser definido?»

«Sejamos claros: este impasse desprestigia os decisores políticos, intranquiliza o funcionamento normal da Provedoria e deixa os cidadãos cada vez mais descrentes da qualidade da nossa democracia».

18 de Março – O Papa e o Preservativo

bento-xviParto, desde logo, da premissa de que não detemos a verdade toda, mas parece que, neste caso, não será propriamente grave, ao que se lê por aí. O Papa Bento XVI terá afirmado, de uma forma um tanto «enigmática», que o problema da Sida «não se pode resolver com a distribuição de preservativos», e que, «pelo contrário, isso só irá complicar a situação». Mais do que os números, que ajudam, de certa forma, a provar o contrário, sabemos que cerca de 30% das instituições que ajudam no combate à Sida estão, de uma forma ou outra, ligadas à Igreja, e sabemos que fazem distribuição de preservativos sem qualquer reserva.

A questão que se coloca aqui fica entre o que deveria ser e o que tem de ser, face às circunstâncias.  Estaríamos numa situação ideal se conseguíssemos fazer retroceder alguns usos e costumes africanos, que contribuem para esta situação, como a iniciação sexual precoce ou a poligamia socialmente aceite e fomentada. Mas a identidade e especificidade local de cada espaço são isso mesmo, e o que para nós pode ser reprovável, ali pode ser perfeitamente aceite, bem como o contrário também, certamente, sucede. «Cada terra com seu uso, cada roca comm seu fuso», diz o povo na sua sabedoria, que reconhecemos. Sucede que a realidade, as circunstâncias não são essas. Há um problema, e temos duas formas de o combater: pensando e estudando, teoricamente, a táctica; ou indo para o terreno «a toda a força», para o combate. O Papa Bento XVI, neste caso, parece ter escolhido a primeira opção, o que me faz concordar com a posição de António Marujo, quando escreve que «uma posição mais positiva e menos interditos poderia ajudar».

17 de Março de 2009 – O desaparecimento do arquivo de Colónia

kolnSegundo noticia o jornal «Público» de hoje, o edifício do arquivo municipal de Colónia desabou, no passado dia 3 de Março, devido às obras que estavam a ser realizadas pelo metropolitano da cidade. Neste momento, ninguém sabe muito bem o que se perdeu nem o que se poderá salvar. Na hora «H», depois de se terem apercebido do que estava para acontecer, só houve tempo para evacuar o edifício. O que foi apurado é que 90% do acervo está, neste momento, debaixo dos escombros, desde um conjunto vasto de documentos medievais, a éditos assinados pelo punho de Napoleão, espólios inteiros de escritores, etc. Há, debaixo dos escombros, artigos de Karl Marx, partituras de Jacques Offenbach e Brüch. Estima-se que as prateleiras do edifício, repletas de documentos, perfaziam 27 quilómetros lineares. Sabe-se também que há microfilmes de uma parte do material, mas o que é certo é que já se perdeu um conjunto considerável de elementos fundamentais para se perceber e estudar o passado, a memória, a identidade daquela cidade, do país, da europa, do mundo, já que Colónia assumiu particular importância logo desde o ano 39, sendo, a mais antiga cidade alemã. O valor destas coisas é sempre questionável, mas há quem avance com a cifra de 400 milhões de euros.

16 de Março de 2009 – Quando a música «gruda»

stampTime and Space
(Cinematic Orchestra)

Every soul comes to the sun
Carried on angel’s wings to human birth
Born of love or born of hate
Each one is heaven sent to human fate

In joy and pain each one will grow
For wisdom is so much more than what we know
And every child will find their way
Of living the whole life story day by day

Dream
Little girl, dream
Dream
Little boy, dream

O dia, quando vivido a 1000 à hora, às vezes não se deixa pensar durante muitos momentos. Assim foi hoje. Repleto de música, de palavras, de viagens de circunstância. Desde cedo que «Time and Space» da «Cinematic Orchestra» como que se «grudou» algures na pele, e foi ficando durante todo o dia. Porque faz pensar em como e porquê andamos por cá, nos sonhos que trazemos, alimentamos e abandonamos. Porque fala de (des)encontros, da história que escrevemos diariamente, do que fomos, somos, queremos ser, podemos e não podemos. Porque fala de quem veio, passou, ficou ou partiu e por que veio, passou, ficou ou partiu. Porque quase fala de tudo. Porque teve o condão de vir e ficar. Todo o dia.

15 de Março de 2009 – O fim de tarde

dianne-reevesAo fim de tarde de hoje faltou apenas a «banda sonora» do álbum «When you know», de Dianne Reeves. O sol na medida certa, a companhia fantástica, a vista inspiradora. Apesar da luta do exercício de técnicas de composição, aquele domingo pachorrento e entediante não veio hoje. Antes me puxou para a claridade, para a serenidade, para dentro. Faltou apenas, de facto, a voz quente e envolvente de Dianne Reeves. Como expressão sonora deste domingo que me abriu a porta para o sol, para outro sítio de onde olhar as coisas. Passou a tarde, passou o sol, ficou a voz de Dianne Reeves. Que acabou por fechar, com «chave de ouro», a viagem do dia, caminhada ao longo do percurso que o sol desenhou até ao horizonte.

14 de Março de 2009 – Emídio Guerreiro fala, em Arouca, sobre Educação

emidio-guerreiroDurante a tarde, o deputado Emídio Guerreiro, do PSD, foi o orador convidado para uma conferência sobre Educação. Mais do que uma conferência, foi quase uma lição, dada por quem está perfeitamente à vontade na matéria (e tem a honestidade suficiente para responder que não está à vontade quando, de facto, não está). Afinal, se calhar os problemas da Educação não são assim tão difíceis de resolver, se a virmos com os «óculos» que temos de ver, os de um investimento a longuíssimo prazo. Afinal, há um outro tipo de Escola possível e desejável, mais autónoma, mais capaz de se gerir e de se melhorar a si própria. Afinal, as reformas não se fazem contra os agentes dessa mesma reforma: os professores, os pais, os alunos. Afinal, ainda há algumas (boas) razões para acreditar em alguns (bons) políticos.

13 de Março de 2009 – O «condoninho» das cegonhas, na internet

cegonhas-na-netHá alguns dias que o «site» do jornal «Público» está a acompanhar, através de vídeo em directo, um «condoninho» (condomínio/ninho) de cegonhas, algures no cimo de um poste de muito alta tensão, na lezíria do Ribatejo. Se tudo correr como previsto, em Abril poderemos assistir ao nascimento da Renata, a cegonha que, neste momento, ainda está dentro do ovo do Sebastião e da Bia. O projecto de preservação e divulgação da espécie conta com vários parceiros, a saber: Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), RTP, Telcabo, Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), Redes Energéticas Nacionais (REN) e jornal «Público». A uma altura de 32 metros, podemos acompanhar o dia-a-dia de uma espécie curiosa, que convive de perto com o perigo das linhas de alta e muito alta tensão. Vale a pena ver aqui o que se passa, e aqui o que é este projecto.

12 de Março de 2009 – Assim se vê a força do PS

manuel-alegreApós a inusitada tirada metafórica do Ministro Augusto Santos Silva («Gosto é de malhar na Direita»), uma colega de ofício mostrou-me hoje outra interessante posição socialista, desta vez mais direccionada «para dentro», mas nem por isso menos acutilante. Em entrevista ao Rádio Clube Português, o ex-deputado Carlos Candal, esse ícone da retórica política, disse: «Não é pensável que o Manuel Alegre faça o que tem feito, e continue a fazer, sem levar um chuto». Mas não se ficou por aqui. Imbuído da inspiração que lhe é característica (e, eventualmente, na senda do deputado José Lello), rematou: «Punham-lhe um processo disciplinar e ia à vida». Depois de trocas de insultos no Parlamento, de discussões mais acaloradas no seio do PS, agora estas frases deliciosas. É nesta gente que os portugueses vão confiando.

11 de Março de 2009 – Força e violência

DWF15-632149Cinco anos depois dos atentados na estação ferroviária de Atocha, em Madrid, volta a tocar-se, mesmo que ao de leve, na ferida do medo, da vulnerabilidade a que estamos sujeitos, mesmo com a omnipresença da videovigilância ou da facilidade em localizar alguém através das tecnologias que usa (multibanco, telemóvel, etc.). Também o Tibete volta a estar na ordem do dia, quando passam 50 anos da ocupação chinesa, ou, mais brandamente, da altura em que a China «passou a chamar China também ao Tibete». O próprio Dalai Lama endureceu o seu habitual discurso de fluida harmonia e equilíbrio, insurgindo-se claramente contra esta imposição de uma nacionalidade pela força a um território que pugna por ter outra autonomia. Neste preciso dia, Tim Kretschmar, de 17 anos, entrou armado com uma pistola «Beretta» e um cinto de explosivos numa escola de Winnenden, na Alemanha, disparando aleatoriamente contra quem se foi cruzando no seu caminho. À saída, continuou a saga, disparando contra civis e contra a própria polícia alemã.

Estes são apenas três exemplos de violência e de força, em que as principais vítimas são absolutamente inocentes. São condicionadas na sua vida quotidiana, são privadas da sua liberdade e da sua identidade, são invadidas pela violência absolutamente inexplicável. Uma força contra a qual, curiosamente, parece que cada vez temos menos armas para combater.