
Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da América, é o Prémio Nobel da Paz 2009. A postura diplomática «diferente» de Obama e o esforço por encontrar uma nova organização mundial terão pesado a favor da decisão do Comité da Academia Sueca. A notícia foi-se espalhando, via «Twitter», pelos «sites» de jornais e de informação. E se uns acharam este prémio prematuro, outros, como José Saramago, consideram-no um investimento. Obama, visto na cena política como um conciliador, tem, agora, responsabilidades acrescidas nessa busca necessária por uma nova ordem internacional. O primeiro presidente negro dos EUA fica, cada vez mais, entre o mito e a utopia, entre a esperança e uma nova realidade. Uma nova realidade de que precisamos urgentemente. «God bless you».
«(…) Pelos extraoridinários esforços no fortalecimento da cooperação da diplomacia internacional e na cooperação entre os povos».
«O comité deu muita importância à visão e aos esforços de Obama no sentido de um mundo sem armas nucleares»,
«Criou um novo clima na política internacional».
«A diplomacia multilateral voltou a ganhar uma posição central, com ênfase no papel que as Nações Unidas e outras instituições internacionais podem desempenhar».
«(…) O diálogo e as negociações são preferidas como instrumentos para a resolução mesmo dos mais difíceis conflitos internacionais»
«A visão de um mundo livre de armas nucleares estimulou poderosamente e as negociações de controlo de armas».
«Os EUA estão agora a desempenhar um papel mais construtivo na abordagem dos grandes desafios das alterações climáticas que o mundo enfrenta e”a democracia e os direitos humanos serão reforçados».
«Muito raramente alguém cativou a atenção do Mundo e transmitiu às pessoas a esperança num futuro melhor».
«A diplomacia que exerce assenta no conceito de que aqueles que lideram o Mundo o devem fazer tendo por base os valores e as atitudes partilhadas pela maioria da população mundial».
«Há 108 anos por estimular precisamente essa política internacional e essas atitudes das quais Obama é o principal porta-voz no mundo».
«Chegou o momento de todos partilharmos a responsabilidade de uma resposta global aos desafios globais».
(Excertos da declaração da Academia Sueca)
As dinâmicas económicas e empresariais da actualidade são complexas, bem o sabemos. Mas o que não sabíamos era que poderiam descambar num autêntico «suicídio colectivo», como o que tem sucedido na «France Telecom». Em 19 meses, 24 trabalhadores suicidaram-se, sem contarmos com tentativas falhadas, que foram mais de uma dezena. A «France Telecom» colocou «na rua», nos últimos quatro anos, mais de 20 mil trabalhadores, o que diz bem do sentimento que, entretanto, deve ter tomado conta de quem foi ficando, com o peso de saber que, a qualquer momento, pode também ser escravo do esquema de cortes. Vivemos na era da precaridade, do temporário, do incerto, de «empurrar para o futuro» os sonhos, anseios, vontades, desejos, projectos. Na era da pressão, do pagar pouco por muito, de uma outra espécie (ou de outras espécies) de escravatura. Não seria preferível ter pessoas parcialmente descontentes com o seu trabalho do que desempregadas? Não seria preferível estar vivo? Ou será o desemprego (desesperante) o ponto mais fundo onde se pode «bater»?
Morreu «La Niegra», disse, fugazmente, o jornalista no ecrã de televisão que olhava, e que acabou por deixar-me sem reacção. Como é normal nestas coisas, Mercedes entrou no meu universo musical por um «feliz acaso». Ouvi, até à exaustão, «Gracias a la vida», «Alfonsina y el Mar», «Maria, Maria», «En los bailes de la vida», e todas as outras canções que fizeram de Mercedes Sosa um verdadeiro símbolo da música argentina e mesmo latino-americana. Pela vida e obra de Mercedes Sosa, fica a singela homenagem, com as «gracias a la vida» que teve o condão de nos dar, uma vida em prol da música do seu país, da música do mundo, levando ao mundo a música do seu local. «Gracias, La Niegra».
Pedro Almodóvar está de regresso, com «Los Abrazos Rotos», um filme ao seu estilo, sem ser «mais do mesmo». Ao longo do filme, a trama vai-se «enrolando e desenrolando», retirando-nos do já habitual «torpor hollywoodesco», surpreendendo-nos de vez em quando, e despertando, sempre que possível, os sentimentos de quem vê, com recurso a uma linguagem muito própria. «Abraços desfeitos» fala disso mesmo, de abraços desfeitos, do regresso a encruzilhadas, do desatar de nós e reatar de vidas, da remontagem de um filme de vida com cenas mal escolhidas, recuperando o que se pode recuperar, mesmo que não se possa ver com os próprios olhos, mas sentindo com o resto dos sentimentos. O resto, é preciso ver. Porque, como se diz no filme, «os filmes devem ser sempre acabados».
«Ao meio dia», é o título que a Casa deu a um ciclo que «dá música» por essa hora, aos domingos. Hoje era a vez de se estrear o Coro Casa da Música, sob a direcção de Paul Hillier. A expectativa era grande, quer pelo leque de vozes (algumas delas já bem conhecidas), quer, sobretudo, pelo facto de ter na sua direcção musical um dos mais reconhecidos especialistas na área: Paul Hillier. O grupo revelou ter um potencial muito interessante, e já uma fusão muito consistente. Para o concerto inaugural, Hillier escolheu Pedro do Porto e Lopes-Graça, dois expoentes máximos da polifonia portuguesa, constrastantes no estilo, mas tendo em comum o «sentir português». Hillier não demonstrou qualquer dificuldade em transmitir esse sentir através da música, demonstrando extrema competência no seu trabalho. Estão de parabéns o Coro e o maestro. Que provou por que razão tem renome mundial.
À noite, não eram os famosos três tenores líricos, mas três grandes (GRANDES) saxofonistas, que privilegiaram a utilização do saxofone tenor. Mas não era só. Havia, ainda e sobretudo, a Orquestra de Jazz de Matosinhos, cujo nível é do melhor que podemos ouvir. Com incursões pela música contemporânea e passando por paisagens sonoras do mais diverso que podemos imaginar, o tempo passou sem se dar conta, ao som de temas de Carlos Azevedo, John Hollenbeck, Ohad Talmor e Pedro Guedes. Ao lado, estavam Andy Shepard, Chris Cheek e Mark Turner, sob a orientação de Carlos Azevedo e Pedro Guedes. Valeu a pena.
Hoje recebi o convite oficial para participar numa pequena digressão da Orquestra do Norte por terras algarvias. O objectivo é apresentar duas óperas em Portimão, no Auditório Municipal («Otello», de Verdi, e «Sansão e Dalila», de Saint-Säens). Durante 12 dias, haverá tempo para o lazer e para o convívio com boa gente, mas, sobretudo, tempo para a música, e para aprofundar o conhecimento destes dois compositores e destas duas obras-primas da tradição operática.
A «Cidade Maravilhosa» do Rio de Janeiro vai receber as olimpíadas de 2016. O Presidente Lula já fez questão de colocar a fasquia bem alta, ao afirmar categoricamente que o Brasil quer organizar os melhores jogos de sempre, e que, agora, o Brasil deixa de fazer parte dos países «de segunda classe» e passa a estar na linha da frente mundial. Com a realização dos Jogos Olímpicos pela primeira vez na América do Sul, o Comité Olímpico Internacional espera que o Rio exalte o espírito olímpico e se torne numa cidade ainda mais global, contribuindo, com este evento, para significativas modificações em algumas partes da cidade. O espírito de excelência, respeito e amizade, a paz, a educação e a inclusão através do desporto que caracterizam o espírito olímpico estarão, por certo, bem presentes nesta realização com a qual, nós, os portugueses com um sotaque menos «açucarado», estamos, naturalmente, orgulhosos.
Em vésperas do Dia Mundial da Música, a UNESCO classificou o Tango argentino e uruguaio como património imaterial da humanidade. O Tango de Piazzolla, o Tango do romantismo e do repentismo argentinos, o Tango da sensualidade, de sonoridades e movimentos inconfundíveis. Segundo os responsáveis da UNESCO, «A tradição do tango argentino e uruguaio, agora mundialmente conhecido, nasceu na cidade popular de Buenos Aires e Montevideu, na bacia do Rio de la Plata». Hoje, serve de mote a excelente música, de grandes compositores, e a interpretações mágicas de grandes músicos. Um desses exemplos é o de Luis Bacalov, «herdeiro» deste legado, com a sua banda sonora do filme «O Carteiro de Pablo Neruda (Il Postino)», ou a sua «Missa Tango». A música e o mundo estão de parabéns por este reconhecimento.