À posteriori, conseguimos sempre saber quando fizemos figuras mais tristes. Essa deve (ou, pelo menos, deveria) ser, precisamente, a sensação de Sócrates e Zapatero (e Madaíl, por arrastamento), depois da derrota da candidatura ibérica à organização do Mundial 2018. Contrariamente à postura fria e «low profile» de Putin, que não se quis envolver directamente, e nem sequer apareceu para as «alegações finais», os «iberos» resolveram jogar tudo, e, como é timbre habitual, misturar política com futebol, aproveitando para voltar a prometer «TGV’s» e fazer propaganda às auto-estradas (que, ninguém disse, em Portugal agora são a pagar). Fica, mais uma vez, provado que fazer «lobby» ainda não é uma das nossas habilidades. Por muito que tentemos, continuamos a não ter a subtileza necessária. Nem os argumentos, aparentemente. Talvez por isso a organização do campeonato de 2018 tenha sido entregue à Rússia e o de 2022 ao Qatar. Por tudo isto, disemos (ou disseram-nos) до свидания (que significa «adeus»).
1 de Dezembro de 2010 – Os passos dados e a dar, na luta contra a SIDA
Hoje é Dia Mundial da Luta contra a SIDA, mas a «TSF» antecipou-se, e organizou uma conferência que decorreu ontem, e que pudemos ouvir, nas «ondas» da Rádio. Nessa conferência, um dos depoimentos mais marcantes, porque simples, directo e significativo, foi o de José Manuel Osório, conhecido como o doente português que há mais tempo convive com o vírus. José Manuel Osório luta contra a SIDA há 26 anos, e, na sua simplicidade, contou o que o faz passar menos bem, o que o foi ajudando, ao longo dos anos, a viver melhor com a doença, e, mais curioso, a marca indelével da discriminação que ainda existe, inclusive, disse-o, entre a classe médica. Mas as palavras mais marcantes que deixou foram as de esperança, de que não estaremos muito longe de encontrar forma de combater este vírus tremendo. Provavelmente para, depois, surgir outro flagelo que nos consuma.
30 de Novembro de 2010 – Acontece aos grandes…
O Real Madrid de José Mourinho perdeu com o Barcelona por 5-0. De imediato, salvaguardando as respectivas distâncias, fez-me lembrar o Benfica. Aparentemente, pelo menos, são coisas que acontecem. José Mourinho tem, assim, a pior derrota da carreira, num dos piores (senão mesmo o pior) jogo da história dos «merengues», pelo menos a acreditar no que diz o presidente Florentino Perez. «Mou» reagiu da única forma possível. A derrota vale o mesmo, tendo sido por cinco ou por um golo de diferença. Seguem-se outros jogos. Mas que surpreende, surpreende. E se acontece isto ao melhor técnico do mundo, se acontece isto à melhor selecção do mundo (contra Portugal), se calhar Jesus também tem algum direito a errar.
«Foi a pior partida da história do Real Madrid. Foi uma partida muito má, péssima, mas antes jogámos 19 partidas nesta temporada e tivemos actuações muito mais satisfatórias. Não há a mínima dúvida de que temos o treinador adequado».
(Florentino Perez, presidente do Real Madrid, em declarações aos jornalistas)
29 de Novembro de 2010 – O resto é ruído
Não, não se trata do famoso livro de Alex Ross. O jornal «Público» traz hoje, no seu suplemento «Cidades», um curioso texto que nos alerta para a forma brutal com que estamos expostos, diariamente e sem darmos muito por isso, ao ruído. Junto às estradas, nos aeroportos, junto a zonas de obras, ou mesmo nos centros das cidades, muitos dos sons a que somos expostos não são muito harmoniosos, e pouco contribuem para o nosso equilíbrio. Portugal já foi intimado pela União Europeia a cuidar dos níveis de ruído, devido ao atraso na implementação de planos específicos para o efeito. Temos, agora, até 2013 para equilibrar a situação. Mas a legislação, podemos ler, não basta. É preciso que cada cidadão e cada profissional envolvido no assunto (projectistas de edifícios, planeadores urbanos, autarcas, governantes) estejam sensibilizados para o problema. De outra forma, estaremos a contribuir para um ritmo/estilo de vida pouco equilibrado, bem como, provavelmente, para uma substancial diminuição da sensibilidade auditiva para outras coisas bem mais importantes, como, por exemplo, a música.
28 de Novembro de 2010 – Eu fui
Apesar do pedido insistente dos dirigentes do SL Benfica, para que nenhum adepto se desloque a estádios «adversários», eu fui. Fui, e pude ver este golo bem à minha frente. Há vários anos que sentia a falta do frenesim do estádio. Desde a era Trapattoni que não ia ao estádio, e, nesse ano, foi precisamente em Aveiro, no arranque do campeonato, que o Benfica trilhou um atribulado caminho de campeão. Desta vez, o contexto é outro. O Benfica não tem a chama de campeão. Mas valeu a pena, pelo espectáculo.
27 de Novembro de 2010 – Convívio da Banda Musical de Arouca e lançamento do CD da Escola de Música de Moldes
Há dias assim, a correr. E, chegados ao fim, pensamos: «ainda bem». Hoje foi o dia escolhido para a Banda Musical de Arouca realizar o seu habitual convívio anual de final de época. Oportunidade para rever caras que já não víamos há muito, recordar peripécias, reavivar memórias, ouvir os anciãos. Este ano, uma das boas surpresas foi o regresso às nossas lides do nosso padrinho, o Tides, que, pudemos ver, continua rijo e com o bom humor que lhe é característico.
Depois, a correr, foi tempo de «fugir» para o lançamento do CD da Escola de Música de Moldes. Trata-se de um trabalho com um cariz pedagógico muito interessante, aliando as melodias tradicionais do cancioneiro de Arouca, às recolhas do Prof. Ramiro Fernandes e do Dr. Rui Botelho, com arranjos muito bem compostos por Plácido Carvalho. O resultado final foi um registo fonográfico das recolhas, mas, sobretudo, a edição das partituras para conjunto «orff», o que se constituirá numa interessante ferramenta de pedagogia musical. Está de parabéns a Escola de Música de Moldes, pelo arrojo e pelo forte contributo que, de uma forma original, dá, desta forma, para a preservação e divulgação da cultura arouquense.
26 de Novembro de 2010 – De igual, para igual
Há quatro anos que a Rede Social organiza um espectáculo social cujo mote é «De Igual para Igual». Trata-se de um espaço de partilha e de comunicação, pela arte, do papel que as instituições que participam desempenham no dia-a-dia. Com as suas virtudes e limitações, todos os que participam fazem-no dando o melhor de si, e o resultado acaba por ser de uma qualidade invejável. «De Igual para Igual» tem-se revelado, para mim, uma experiência única, ao poder conhecer e conviver de perto com instituições que quase passam ao lado da maioria de nós, mas que trabalham imenso (e muito bem), todos os dias, em prol dos mais necessitados. Conviver com estas pessoas torna-nos mais humanos. Torna as coisas muito mais fáceis. Muito mais «de igual para igual».
25 de Novembro de 2010 – Guerra civil no Rio?
Há vários dias que há uma tensão terrível no Rio de Janeiro, a que o nosso bulício diário tem, de certo modo, passado ao lado. Um grupo de traficantes resolveu responder agressivamente à implantação de unidades de polícia pacificadora. A violência aumentou em espiral, a ponto de o estado brasileiro ter todas as suas unidades de defesa a postos para controlar a situação que, de certo modo, já está praticamente incontrolável. Houve ataques no trânsito, nos transportes públicos, trocas de tiros nas favelas. Houve inocentes apanhados no fogo cruzado, mortes desnecessárias. Milhares de agentes da autoridade estão na rua, na tentativa de apaziguar a situação. Estão já registadas várias dezenas de mortes. Foram incendiados quase cem veículos e apreendidas dezenas de armas. Na base de tudo isto, não a miséria, não a vida de quem quer lutar por um futuro melhor, não a vontade de dignificar uma vida, apesar do sítio onde se vive. Na base de tudo isto, o tráfico de droga. Será que vale a pena ter um motivo como este para uma eventual guerra civil no Rio de Janeiro?
23 e 24 de Novembro de 2010 – Blog off
Durante dois dias, não pude escrever n’«A Minha Agenda». A dificuldade de acesso ao blogue veio precisamente numa altura de maior turbulência, com várias coisas para fazer em pouco tempo. Mas, confesso, já estava a sentir falta. Quando se cria um ritual, mesmo que seja para dizer pouco (ou nada), sente-se a falta. Este «apagão» serviu também, e mais uma vez, para se perceber o quão importante (mesmo precioso) é o trabalho e o empenho do Rui Gato e do AroucaBiz na manutenção deste blogue. Porque parece que só nos lembramos de quem faz o «trabalho sujo» quando o que precisamos para «aparecer» não nos aparece feito.
22 de Novembro de 2010 – Foi bonita a festa, pá… (sem blindados)
A cimeira da NATO terminou, foi um momento alto para Portugal, que provou ser capaz de organizar um evento de nível global, onde se produzem decisões importantes para o futuro geo-estratégico do mundo. Para manter a segurança e ordem pública, durante a cimeira, o Estado recorreu à compra sem concurso público (invocando a urgência) de seis blindados de protecção policial, para além de mais material de protecção policial, num total de cerca de cinco milhões de euros. A ausência de concurso público deveu-se, tudo indica, à urgência de ter este equipamento disponível para utilização durante a cimeira, o que não aconteceu. A cimeira terminou no sábado. O primeiro blindado chegou… hoje. Convém que alguém seja responsabilizado e esclareça o país quanto às desventuras destes cinco milhões de euros e quanto ao facto de se ter feito esta compra sem recurso a concurso público. Já para não falar na (in)utilidade da compra.
«Eu gostei de ver o primeiro-ministro a ir a correr, depois da cimeira, à PSP, [para] agradecer o esforço de manutenção da segurança, tanto mais significativo quanto, afinal, falharam e não foram necessários os blindados e outro equipamento encomendado à pressa, exactamente para servir as necessidades de segurança da cimeira. (…) O próprio facto de esse equipamento não ter sido necessário é motivo para reflexão e para que se apure: Como? Porquê? A quem? Com que engenharia financeira? O que é que vamos efectivamente ter de pagar relativamente a esses blindados e a esse equipamento que não foi necessário para a cimeira?»
(Ana Gomes, eurodeputada socialista, em declarações à TVI)