labequeQuando somos público, facilita-se-nos a crítica. Rapidamente ficamos com a sensação de que, afinal, é fácil. A observação foge-nos para o gosto, e, se não gostamos, achamos simples, fraco, «uma porcaria». Exercer o juízo de valor é complicado, perverso até. Mas enfim. Hoje, foi dia de ver e ouvir as irmãs Labèque, na Casa da Música (obrigado, meu querido amigo Jorge Prendas), num formato e com repertório pouco habituais. Dois pianos em palco. Uma primeira parte dedicada a Ravel, com «Ma mère l’Oye» e «Rapsódia Espanhola». Uma segunda parte dedicada a Stravinsky, com a «Sagração da Primavera» para dois pianos (uma versão que o próprio compositor terá preparado para situações de ensaio do bailado). Katia e Marielle Labèque sempre tocaram juntas, e a sua discografia é das mais premiadas do mercado internacional, muito por força do repertório que trabalham. Tocam nas salas mais importantes do mundo e trabalham com os músicos mais relevantes do mundo. Têm dois anos de diferença, mas parecem gémeas, até na forma como tocam (juntas). Hoje, no final do concerto, lá se foi falando sobre como correu, do que se gostou e não gostou tanto. E nunca como naquele momento as palavras de Flaubert, no Dicionário das Ideias Feitas, foram tão certeiras: «para se ser um verdadeiro músico não se deve compor seja o que for, tocar seja que instrumento for e deve desprezar-se os virtuosos». Assim, já se pode ter espírito crítico suficiente.

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8 de Outubro de 2015 – De-Lovely

8 de Outubro de 2015

Em 2004, Irwin Winkler teve a coragem de fazer um filme sobre Cole Porter. Se a vida tem melodia, ritmo e harmonia, Porter foi o homem que fez a síntese perfeita entre tudo. Kevin Kline tem um desempenho notável, a par de Ashley Judd, e a música não podia estar melhor entregue. A matéria-prima é de Cole Porter, mas ter, no mesmo filme, Sheryl Crow, Alanis Morissette, Diana Krall, Elvis Costello e Robbie Williams parece impensável. A história, bem… é melhor ver.

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Quando falamos dos instrumentos de cordas que compõem, habitualmente, as orquestras, é frequente brincarmos, ao dizer que uma viola é um violino um pouco maior, um violoncelo é um violino grande e um contrabaixo é um violino muito grande. Bem, hoje descobri o «cello da spalla», que pode facilmente ser traduzido como «violoncelo de ombro». Há quem diga que Bach estava a pensar num «cello da spalla» com cinco cordas para a sua suite número seis. Há uma certa excentricidade neste instrumento, mas que rapidamente se entranha, porque o som é lindíssimo. Dá para ficar curioso.

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air-franceAndam por aí uns senhores, que, supostamente, gerem o nosso dinheiro, e com isso nosso destino, e que parecem estar um pouco confusos quanto ao significado de «esquerda» e «direita». É como se andassem desnorteados, metidos nos seus fatos de corte fotogénico e gravata de cor televisiva, mas sem saber de onde deveriam vir nem para onde hão-de ir. Fazem e desfazem. Concordam de manhã, discordam à tarde, e ficam indecisos à hora do telejornal. Aos que agiram assim, os trabalhadores da Air France rasgaram as vestes. A estes, que apetecia, apetecia…

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5 de Outubro de 2015 – Maestrina

5 de Outubro de 2015

 

A mulher é, sem dúvida, o ser mais sedutor que existe. As que têm a sorte de serem maestrinas, normalmente colocam de lado a sedução, e acabam, por força das circunstâncias, por encontrar num certo exagero no vigor do gesto a solução para se imporem. Com Alondra de la Parra, parece ser um pouco diferente, pelo menos a julgar por estes cerca de dois minutos. Sem perder o vigor (e o rigor) que é necessário ter-se, quando à frente de uma orquestra, optou por não pôr totalmente de lado a sedução. A começar pela peça a ensaiar, e a terminar na forma como se vai expressando gestualmente. E, assim, dá vontade de continuar a ver e ouvir, para além do minuto e tal.

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SilenceO silêncio deve ser das coisas mais unânimes que existem. Shakespeare dizia que é preferível ser rei do silêncio do que escravo das palavras. Confúcio, que o silêncio é um amigo que nunca trai. Siro, nas suas sentenças, afirmava-se mais vezes arrependido por falar do que por estar calado. Séneca, que os desgostos da vida nos ensinam a arte do silêncio. É verdade tudo isto e muito mais. Às vezes, mesmo não sendo preciso procurá-lo. Ele instala-se. Afirma-se. Impõe-se. E espalha-se. E faz sentir o seu sabor. Que quase sacia, não fosse maior, uma vez ou outra, a vontade de dizer.

 

(Eugénio de Andrade: Rosto Precário)

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Este é apenas mais um argumento para aqueles que acham que «once you go Mac, you never go back». Uma orquestra que, com base nos sons que os computadores emitem a partir dos erros ou dos comandos básicos do «Windows», é algo de curioso. Mais curioso ainda, uma valsa «Windows». Bem, acima de tudo, importa percebermos que a música também pode ter (bom) humor, e não tanto formalismo. Só isso, já é bom.

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logo-ddChegou o período a que habitualmente se chama «silly season». Basicamente, trata-se do Verão, das férias, de um tempo em que estamos (os que estamos) descomprometidos da rotina habitual, e, como tal, mais propensos ao inesperado, ao «fait divers», a coisas mais ou menos estapafúrdias. Este ano, temos um ingrediente acrescido: as eleições legislativas em Outubro, com as máquinas partidárias já devidamente oleadas, e prontas a disparar as balas do costume, com as acções e reacções habituais.

Este, que devia ser o tempo para nos desligarmos de um dia a dia que quase nos oprime, de um quotidiano acinzentado por vários factores, e nem todos culpa nossa, de dias justos e outros injustos, de gente muito boa e menos boa que connosco se vai cruzando; este, que devia ser o tempo para nos rendermos às fotografias (in)felizes (ou, pelo menos, disfarçadamente felizes) do facebook, com fundos de mar ou montanhas verdes e céu azul; este, que devia ser um tempo para nós, para não haver Grécia que nos desanime, ou políticos que nos envergonhem; este tempo não está a ser só nosso.

Se a representatividade que nos é proposta fosse funcional, talvez não nos fizesse grande diferença abdicarmos do único período em que podemos ser mais «silly» durante mais tempo (o Carnaval é outra altura, mas dura apenas dois ou três dias). Mas com a constante nuvem negra da corrupção a pairar sobre os políticos, não nos resta senão antever mais do mesmo, para os próximos tempos. Já nos começam a impingir «pseudo-escândalos» que poderão adensar-se, dependendo do sentido de voto da maioria dos portugueses. E quando o futuro se resume a mais do mesmo, sujeitar os momentos que deveriam ser exclusivamente nossos a estas lógicas é, no mínimo, injusto.

Quando o que de mais «silly» temos para desfrutar é uma espécie de campanha eleitoral em várias frentes, e não podendo ter a sorte programada de ganhar o Euromilhões, resta a esperança de que algo mude. Caso contrário, «silly» estaremos todos no decurso de mais um ano de trabalho. Penosamente. A implorar por um novo período de férias em que todos, sem excepção, possamos ser «parvinhos» em paz.

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rui-aguas-fcpFoi há precisamente 27 anos que eu, com 8, sentia, pela primeira vez, a crueldade do mercado futebolístico. Estava a minha colecção de cromos a terminar, quando descubro que o avançado do Vitória de Guimarães, Ademir, vai ser reforço do Benfica, apesar de o Porto ter tentado contratá-lo. Mas essa «vitória» acabaria por ser amarga. Pinto da Costa consegue «roubar» Dito e Rui Águas ao Benfica. Perder Rui Águas era algo impensável, mas aconteceu. Pior, o avançado acabaria por ser o melhor marcador dessa época. Ele há coisas do catano.

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agueda-banonÁgueda Bañón é a nova directora de comunicação de Barcelona há cinco dias, e já é notícia. Sucede que surgiram umas fotografias na internet em que a assessora aparece com as calças para baixo em Berlim ou a fazer de conta que faz xixi à homem. Águeda é uma activista do «postporno», um movimento que tem uma forma feminista de encarar a pornografia. Quer a gente queira, quer não, parece que há sempre quem faça o nosso trabalho melhor do que nós. E é com os melhores que devemos aprender. Por isso…

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