placa-testinhaHoje, inaugurámos a placa evocativa da fundação da Real Confraria do Frango Frito. Chamamos-lhe real, porque ela existe. É, portanto, real. Não precisa de formalismo que não seja o da amizade, entre quem come e entre quem come e quem nos confecciona as iguarias. Pouco a pouco, fomo-nos tornando da casa. E o que parece ser uma brincadeira, não deixa de suscitar curiosidade. A partir de hoje, fica assinalada a passagem destas gentes por esta casa. É como se tivéssemos encontrado forma de estarmos sempre por casa, mesmo não estando.

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É curioso observarmos as associações possíveis com a palavra «maestro». Os italianos chamam maestros aos professores primários, o que dá uma conotação pedagógica à função. Já os ingleses traduziram a palavra para «conductor», uma espécie de condutor, portanto, da orquestra. E é um pouco no espaço entre estas duas fórmulas que vagueia aquela que muitos consideram ser a profissão mais charlatã do mundo. Alguns são, verdadeiramente, maestros. Vivem, comunicam, aprendem e ensinam. Outros são meros condutores. Se bem que, no tempo das camionetas do Calçada, apesar das camionetas mais velhas, havia muito bons condutores. Se eu pudesse experimentar…

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logo-ddOs Vândalos, povo (ou conjunto de povos, ou tribos, se quisermos ser mais precisos) cuja origem deve remontar a qualquer coisa como ao século III, algures nos territórios que hoje correspondem à Alemanha, Polónia, Dinamarca, Noruega e Suécia (mais ou menos), marcaram o seu lugar na história com um grande ataque à cidade de Roma, no ano de 455, em que destruíram algumas obras emblemáticas do Império, que ficaram, assim perdidas no nevoeiro dos tempos. Hoje, mais de 1500 anos depois, e à devida escala, continuamos a ter reminiscências da presença destas gentes nas nossas terras. O último fim-de-semana deixou-nos demasiado próximos desses tempos, a que, certamente, ninguém minimamente civilizado deseja voltar.

Continuamos, hoje, a chamar vândalos aos que destroem o que serve o uso público. Adoptámos, para o efeito, o termo «vandalismo». Que mais não significa do que termos todos, os que cumprimos zelosamente os nossos compromissos para com o Estado, de pagar pela destruição do que é de todos por parte de alguns (poucos). Deve ser frustrante. Deve dar vontade de desistir, frequentemente. Quando nos vemos obrigados a fazer os cumpridores pagarem pelos incumpridores. Deve dar vontade de deixar ficar tudo como está. Não melhorar nada. Se destruíram, deixar destruído. Se roubaram, deixar roubado. Porque, de uma maneira ou de outra, quem «ganha» são sempre os vândalos.

Desta vez, os vândalos resolveram pôr fogo à obra mais emblemática dos últimos tempos, os passadiços do rio Paiva. Uma infra-estrutura que começa a ser praticamente consensual, em termos de concepção, embora subsistam algumas dúvidas acerca da sua gestão/manutenção. Mas que, todos acreditamos, irá mudar Arouca (para melhor), porque irá tornar-nos diferentes. Mas os vândalos preferem a mediocridade. Preferem que todos façamos um esforço extra para consertarmos o que estragaram. Com certeza prefeririam que nos mantivéssemos como no século III ou V. Na altura, mutilaram Roma, mas houve muito mais, para além do que destruíram e do que não destruíram, que ficou como legado. Isso, para quem tiver memória e inteligência, não haverá vândalo que destrua.

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Um ponto de vista é uma vista a partir de um ponto, o que faz com que, olhando para a mesma realidade, cada um de nós veja uma coisa diferente. Aqui, o que se passa é ligeiramente diferente. Anne-Sophie Mutter, uma das mais reconhecidas violinistas do mundo, resolveu filmar parte do seu ensaio, deixando-nos uma perspectiva muito interessante sobre como estes instrumentistas actuam. Na descrição, já foi avisando: «tente não ficar tonto». Não tanto pela música, mas pelo movimento constante e intenso da câmara de filmar. Uma questão de ponto de vista, ou de perspectiva, portanto.

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wordsLer é deixar que as palavras ganhem vida, ganhem um som próprio dentro de nós. Ler é deixar que as palavras façam o seu curso, se transformem. Ler é sermos outros, sendo nós mesmos, surpreendermo-nos, deixarmos que nos digam coisas diferentes, nunca ouvidas, mesmo que com as palavras de sempre. E, às vezes, as palavras entram-nos sem pedir licença, e dizem-nos o que queremos dizer. Como se estivessem à espera do momento certo para invadir, silenciosamente, à espera do momento certo para se fazerem ouvir com estrondo. Como quando olho e leio, de Caio Fernando Abreu: «Foi muito lindo ver-te pela primeira vez e pensar, sem palavras: eu quero».

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Por que razão o cão consegue abanar a cauda? Porque o cão é mais esperto do que a cauda, caso contrário seria a cauda a abanar o cão. Só que, por vezes, é preciso fazer com que a cauda abane o cão. Mesmo que não se veja como, mesmo que, aparentemente, tudo esteja normal, e pareça que é o cão que está a abanar a cauda. «Wag the Dog» é um filme de 1997, com Robert de Niro e Dustin Hoffman, e o título em português é menos metafórico. Chama-se «Manobras na Casa Branca». É uma boa tradução, embora demasiado literal para um título tão metafórico. Era preferível deixar ficar no ar a questão, para que, sempre que olhemos para o que se passa, procuremos perceber se é o cão que está a abanar a cauda, ou a cauda que está a abanar o cão.

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Se não receberes nenhuma mensagem. Se não te escrever em nenhum sítio da rede. Se não usar nenhuma super-aplicação informática para saber onde e como estás. Se não te enviar um postal de uma qualquer cidade por onde ande perdido. Se não te enviar uma carta, ou deixar um bilhete à porta, ou na caixa do correio. Se, na ausência indesejada, o teu telefone não tocar. Se tudo isto, quero que saibas que sou eu.

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natalia-andradeSúbito, voltei a “tropeçar” em Natália de Andrade. Uma espécie de fenómeno musical trágico-cómico, para o qual há poucas explicações, muitas especulações e nenhuma certeza. Ninguém consegue, ao certo, contar a história da sua vida, nem mesmo recuperando as suas próprias palavras, que não se sabe se são mesmo suas, se são verdadeiras, ou se são apenas a corporização de um sonho, tornado realidade à força. Todavia, há discos gravados, há participações em programas televisivos, há escritos, há um rasto da passagem de Natália por esta vida. Um rasto com a forma de um tremendo ponto de interrogação. Mas não faz mal. Natália seguiu o sonho. Decidiu torná-lo realidade, a todo o custo. Não olhou as barreiras, antes o horizonte, o destino a que queria chegar. Não se preocupou se o percurso era real ou sonhado, se o destino era a glória ou a fama, ou a anedota ou a crítica. Deixou marca. Essa marca, em forma de ponto de interrogação. Sobre como, tendo sido realmente possível, foi isto possível.

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“Canção Verde” – Victor Macedo Pinto (1917 · 1964)

O nosso amor é verde.
Nós somos verdes.
Verdes,
como são os campos
e as árvores
quando regressa a Primavera.
Verde é tudo quanto é belo.
Tu és verde, meu amor, verde.
Verde!
O nosso amor é verde,
mas não digas a ninguém.

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A ópera “A Flauta Mágica”, de Mozart, é uma verdadeira obra de magia. Plena de simbolismo, ela é riquíssima em significados, e, quando interpretada à luz da filosofia maçónica, abre reflexões intermináveis. Uma das árias mais significativas desta ópera é a da Rainha da Noite, que muitos dizem tratar-se de uma espécie de reencarnação da sogra de Mozart, o que torna a interpretação dos significados da ópera um pouco redutora. Seja como for, é uma das árias tecnicamente mais exigentes para qualquer soprano ligeiro. É quase como algo que “ou se tem, ou não se tem”, e quando não se tem, é melhor não tentar cantar, sequer. Quando não se tem, pode tentar assobiar-se, porque mal cantada, a ária pura e simplesmente não existe.

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volta-btt-1Uma distância de 8.84 quilómetros, em 53 minutos e 32 segundos, numa média de 9.91 quilómetros por hora, tendo a velocidade máxima sido de 29.31 quilómetros por hora, numa altitude mínima de 317 metros e máxima de 392 metros. Estas são apenas algumas informações da volta de bicicleta (a primeira, desde há longos anos) de ontem. É uma espécie de pedalada em direcção ao desconhecido, depois de uma queda aparatosa (já lá vão uns quase 25 anos) ter posto a velha BMX a ganhar pó. Agora, com outras artilharias, e em BTT, começou a subida. Devagar. Devagarinho.

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