estudarAlberto Caeiro dizia que «Ao entardecer, debruçado pela janela,/ E sabendo de soslaio que há campos em frente,/ Leio até me arderem os olhos/ O livro de Cesário Verde». Não podendo competir com o génio, fico-me por ouvir até me arderem os ouvidos a versão de Jacky Terrasson e Cécile McLorin Salvant da canção de John Lennon «Oh my love». Ele há coisas assim. Que nos entram pelos sentidos logo ardendo. E ficam. Ficam até se consumirem e se consumarem. Da canção singela, ficam as palavras e o que dizem, e o que a música lhes acrescenta. E nada mais, senão tudo.

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Oh my love – Jacky Terrasson & Cécile McLorin Salvant

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livrosDei-me conta, há pouco, que ultrapassei os 1600 textos escritos neste espaço. Mas mais do que enaltecer tanta escrita, dá-me vontade de fazer uma lista de prioridades para a leitura. Como se fosse mais necessário aprender que ensinar, saber do que dizer, receber do que dar. Por 1600 textos, 16 títulos à espera de serem lidos. D. Quixote, Sinais de Fogo, Volfrâmio, Memórias da II Guerra Mundial, Textos de Sá Carneiro, Confissões de Santo Agostinho, Conta Corrente de Vergílio Ferreira, História da Idade Média de Umberto Eco, Autobiografia de Nelson Mandela, Cosmos de Carl Sagan, São Paulo de Teixeira de Pascoaes, El Fútbol a sol y sombra de Eduardo Galeano, Aquilo em que creio de Hans Küng, Deus existe e Lutero do Pe. Carreira das Neves e Eu sou uma Antologia, de Fernando Pessoa. Só para começar…

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Criaturas_de_um_DiaQuando nem tudo vai bem, a nossa tendência é procurar ajuda. De preferência, tão especializada quanto possível. Uma espécie de armazém ou contentor estanque, onde possamos despejar tudo o que nos perturba. Só que esquecemo-nos que, do outro lado, está alguém como nós, que não tem por obrigação ficar com essa carga tóxica assim, sem mais nem menos. E vai ter de encontrar forma de ver-se livre dessa carga. Irvin D. Yalom conta, em «Criaturas de um Dia» o relacionamento que teve, enquanto psicoterapeuta, com alguns dos seus pacientes. O livro assume traços curiosos, porque acaba por dar-nos a conhecer o que passa pela cabeça de quem habitualmente está do outro lado. Vale a pena passar por estas histórias.

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Escolher um instrumento, aprender a ler partituras, encontrar um bom professor, estudar (para o resto da vida), evitar estantes articuladas, aprender a transportar o instrumento, conhecer o jargão italiano, evitar manter uma pronúncia desajustada, verificar que há instrumentos mais respeitados que outros, participar em audições, cuidar do instrumento, ir a concertos, ignorar públicos ruidosos, continuar a praticar (mesmo quando não é prático fazê-lo), superar-se, saber esperar (é uma virtude),  culpar outros instrumentistas pelos nossos erros e nunca chamar «canção» a uma «peça» são alguns dos mandamentos fundamentais quando se quer ser músico clássico. Pelo menos, é o que diz este curioso vídeo.

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escreverÉ capaz de ser melhor desconfiar de quem tem muito a dizer sobre tudo e sobre nada. Quando se fala muito, o risco de se acertar pouco aumenta proporcionalmente. Porque aumenta, igualmente, o risco de se falar sobre o que não se sabe. Olhar as coisas pela rama ou a partir do ponto de vista que toda a gente usa, é outro risco fácil. A democracia e as maiorias trazem consigo esse perigo. É um pouco por tudo isto que escrever todos os dias é um risco grande. A menos que se assuma que se escreve todos os dias apenas pelo prazer de o fazer. Sem ter a pretensão de evangelizar ninguém ou mudar a forma de pensar ou de olhar para as coisas. Tirando esse pequeno pormenor, sim, é um risco.

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Igudesman & Joo é um duo de piano e violino que procura descomplexar a música clássica, misturando-a com música pop e com uma performance bem humorada. Na sua página do Facebook, têm publicado vídeos muito interessantes com momentos musicais e performativos curiosíssimos. Aqui fica uma espécie de geringonça, daquelas que parecem funcionar. A um ritmo frenético e cheia de sons, sem parar. Provando que há geringonças que funcionam, desde que estejam bem afinadas e tenham um tocador que consiga retirar o máximo proveito das suas capacidades.

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missao-fcastroDiz quem sabe que quando nos queremos abalançar em leituras complexas e longas, devemos sempre começar pelo volume mais simples e mais curto. Depois, dentro do volume mais curto, o texto mais curto. Assim foi. Ferreira de Castro sempre esteve ali mesmo ao lado, em Ossela, Oliveira de Azeméis. Às vezes, quando as coisas estão demasiado perto, olhamos tanto para elas que nem as vemos. Em boa hora, por ocasião do centenário de vida literária do autor oliveirense, surgem novas edições. Começo pelo «Senhor dos Navegantes» um périplo errante, conscientemente, à descoberta de um escritor que nem sempre se considerou como tal, mesmo sendo-o até ao mais fundo de si. Depois do «Senhor dos Navegantes», a rota aleatória está mais ou menos traçada. Para (re)descobrir Ferreira de Castro.

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image001Uma das curiosidades da globalização é a facilidade com que se criam fluxos. As pessoas viajam mais, por isso é natural que, por exemplo, as doenças mais características de determinada zona do planeta acabem por surgir em outras paragens. Os produtos (naturais ou transformados) circulam com mais facilidade, e por isso é relativamente fácil encontrarmos frutas ou vegetais vindos do outro lado do mundo. Mas hoje há dois fluxos, quase em sentidos opostos, que, no mínimo, dão que pensar. À costa mediterrânica da Europa, continuam a chegar refugiados, que ou escapam a tragédias humanas ou as protagonizam durante a fuga. Em sentido contrário, os mais ricos da Europa fazem escorrer os seus milhões, escapando aos coadores dos impostos e acumulando fortunas no Panamá. No mínimo, é curioso.

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BrasilHoje, quem acordar no Brasil, estará a ver o início do processo de «impeachment» da Presidente Dilma Rousseff. Se os acontecimentos continuarem a suceder-se da forma a que temos assistido, não tardará a ser realizada uma telenovela. A mesmo tempo, o Governo propõe alterações ao salário mínimo, e os políticos e governantes ficam a conhecer o resultado de um estudo que procura traçar o perfil dos municípios brasileiros, com indicadores como as taxas de iluminação pública e lixo que são cobradas, bem como o número de funcionários municipais. Em termos de previsão do tempo, há chuva forte numa parte do país e tempo seco noutra. Sintomático, de resto, de como é (e vai sendo) o Brasil…

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renee-flemingDepois de conhecer um pouco melhor as histórias de Natália de Andrade, ou Florence Jenkins, ou Marguerite Dumont, o título faz mais sentido. Mas a frase foi dita por Renée Fleming, que está em Espanha, para cantar no Teatro Real e para transmitir algum do seu imenso saber sobre a voz e sobre música a estudantes espanhóis. Das coisas que foi dizendo, sobressaem duas. Uma, que o mundo da música (hoje, global) é extremamente competitivo, e que, para se ser diferente, para melhor, há que conseguir chegar ao coração do público. Outra, que aprender a cantar é um milagre, porque cada voz, cada instrumento, casa ser humano é diferente. Por isso, cantar afinado, só por si, já é um milagre.

 

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