11 de Outubro de 2011 – «Road to nowhere»

Soube-se hoje, naquelas letras pequeninas em que são dadas as notícias que não se quer que sejam lidas, que a «Estradas de Portugal» (uma empresa do Estado, sublinhe-se) foi lesada em cerca de 600 milhões de euros, em negociações feitas com a «Ascendi» para as concessões Norte e Grande Lisboa. Já poucas dúvidas havia de que as famosas parcerias público-privadas são um péssimo negócio, apesar de, para o anterior Governo, serem um expediente perfeitamente natural. Há cerca de um ano (Novembro de 2010), o então Secretário de Estado das Obras Públicas, o famoso Paulo Campos, foi alertado para as negociações «potencialmente ruinosas» que estava a conduzir, junto do grupo «Ascendi», que, pasme-se, é propriedade da Mota-Engil e do Banco Espírito Santo. Em causa estavam a auto-estrada entre Barcelos e Guimarães e a auto-estrada entre Famalicão e Vila Pouca (concessão Norte) e várias ligações do IC16, IC30 e IC17 (concessão Grande Lisboa), todas elas já anteriormente portajadas e sem qualquer comparticipação pública. De parte a parte, fizeram-se as contas, e verificou-se que o tráfego ficou aquém do previsto no contrato inicial, o que gerou prejuízos, o que levou Paulo Campos, em nome do Estado, a resolver o problema de forma simples. A empresa «Estradas de Portugal» passou a estar obrigada a pagar à «Ascendi» um valor, em rendas fixas, de 1.864 milhões de euros, ao passo que recebia em troca 1.267 milhões de euros de portagens. Contas simples de fazer. Em estradas que não nos custavam rigorosamente nada (sim, porque o Estado somos nós e os nossos impostos), a «Estradas de Portugal» passou a ser responsável por um prejuízo de 597 milhões de euros. Por muito que não queiramos olhar para trás, enquanto prosseguimos nesta estrada, estas coisas parecem querer avisar-nos, como as tabuletas, que estamos a ir rumo a lado nenhum.

3 thoughts on “11 de Outubro de 2011 – «Road to nowhere»

  1. Never ending story:
    Tanta gente sem casa, tanta casa sem gente…
    Tanta estrada sem gente, tanta gente sem carro
    Tanto carro sem gente, tanta gente sem rumo
    Tanto prejuíjo sem rumo, tanta gente sem guito…

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