4 de Junho de 2011 – Foi hoje

As emoções sempre à flor da pele. Foi assim. Com algum desconforto por não poder fazer a música que tinha planeado inicialmente, mas também com a dificuldade de encontrar algo que parecesse estar à altura do momento. Mas conseguiu-se. Foi bom também acolher os que a nós se juntaram para esta homenagem. Foi bom proporcionar o regresso ao prof. António Ferreira, do Coro da Escola Salesiana de Santo António do Estoril. Foi bom ser surpreendido pela energia do Orfeão de Barrô e do meu muito estimado colega e amigo Sérgio Brito. Depois, as emoções. Que culminaram com a Esperança do Zé Luís, que ainda estamos a afinar. Mas não foi só. No final, surpreenderam-me as minhas próprias palavras de 25 de Março último. Há dias assim.

25 de Março de 2011 – Para: Nádia Oliveira; Morada: Aqui

Olá, «Nadinha». Bem sei que hoje é hoje, mas tenho-te lembrado bastante. Sabes, puseste-me a pensar em como é difícil a gente lembrar-se do dia em que as pessoas especiais nos entram pela vida dentro, como um cometa, cheias de luz, e parece que tudo muda a partir daí. Mas do dia em que se parte, desse sim, é que nos lembramos melhor. Porque é um dia em que algo se rasga, algo nos corta, algo nos fere, e deixa cicatriz. E a cicatriz fica sempre, por muito que a pele se volte a unir. Tu és danada, porque mesmo que não me lembre dos dias exactos, lembro-me de muitas coisas que tu fizeste mudar. Fizeste-nos fazer música e palavras para ti. Fizeste-me conhecer um grupo fabuloso, de pessoas únicas, o Orfeão de Arouca, com quem tu, com tanto carinho e orgulho, sempre trabalhaste. Fizeste-me voltar a estudar, e a levar-te ao meu primeiro concerto em Aveiro. A «culpa» disto tudo também é tua, por muito que não o queiras admitir. Hoje não me apeteceu escrever «de cima», falar de ti como se não estivesses cá. Hoje apeteceu-me escrever para ti, falar contigo, como falo muitas vezes, nas viagens que faço, nas memórias que revisito. Tu fizeste-me acreditar que, de facto, há pessoas que não pertencem aqui. Por muito que nos doa, tu pertences aqui, mas estando aí. São assim os anjos, ou o que lhe quisermos chamar. Eu continuo a falar contigo, porque sei que estás aqui. Se te posso pedir algo, peço-te que continues a tomar conta de nós. Que continues a receber o carinho dos teus papás, único e transbordante, como sempre. Que continues a receber a nossa amizade e admiração. E agora, vou continuar, porque, ao fim e ao cabo, isto não acaba nunca. Por muito que escreva, vou ter sempre qualquer coisa para partilhar contigo. E posso fazê-lo, a qualquer momento, porque a tua morada é (também) aqui.

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