19 de Abril de 2011 – Portugal ainda se deixa enganar?

No editorial do jornal «i» de ontem, Ana Sá Lopes é absolutamente arrasadora no retrato que faz do (ainda) Primeiro-Ministro de Portugal. O mesmo Primeiro-Ministro que, acreditando na análise (também ela arrasadora) de Freitas do Amaral, vive num mundo irreal. O mesmo Primeiro-Ministro que insistiu que não precisávamos de ajuda externa, mesmo depois do Ministro das Finanças ter dito que o sinal de alarme seria a subida das taxas de juro da dívida pública acima dos 7%. Esse mesmo Primeiro-Ministro, prossegue, qual «bulldozer», cilindrando quem tiver de cilindrar para fazer vingar as suas decisões. Nem que, nos intervalos, tenha de deixar cair quem o sustentou. Teixeira dos Santos não será candidato a nada. O mesmo sucede com Luís Amado, que cometeu a (im)prudência de dizer, em pleno congresso do PS, «levámos o país para o abismo». E o mesmo sucede, sabe-se agora, com Ana Paula Vitorino. Provavelmente por ter resistido a colaborar nas negociatas do processo «Face Oculta». Agora, Sócrates entretém-se a distribuir notícias pela comunicação social, elogiando a sua governação e a sua gestão, quase dando a entender que nem sequer temos cá uma delegação do FMI. Portugal cresce, a economia cresce, no primeiro trimestre do ano quase parecíamos a Alemanha, de tão desenvoltos que estávamos. Portugal: pára e pensa. Os cães passam e a caravana ladra.

«Quem leu as escutas do processo Face Oculta percebe claramente o porquê do afastamento de Ana Paula Vitorino: provavelmente, mesmo que não tivesse testemunhado nos termos em que testemunhou no processo, a resistência de Ana Paula Vitorino no governo a variados negócios (como fica claramente sugerido da leitura das escutas) poderia ter sido suficiente para ditar a sua sentença de morte no universo socrático».

«Quem se mete com Sócrates e amigos leva, leva sempre. Não é quem se mete ao estilo de Ferro Rodrigues ou de Manuel Alegre, agora recuperados para a família. É quem se mete onde verdadeiramente dói e onde dói a Sócrates não é nas divergências quanto a políticas sociais, legislação laboral ou rendimento social de inserção. O que verdadeiramente dói são assuntos aborrecidos chamados processo Face Oculta, Figo e Taguspark, licenciamento do Freeport em vésperas de eleições, tios e filhos de tios, professores virtuosos, compra de casa de luxo a preços de amigo e offshores metidas pelo meio, e por aí fora».

«Os socialistas, com excepções aqui e ali, passaram a ser impressionantemente cobardes e incapazes de afrontar o chefe».

«No dia em que for humilhado, é evidente que não lhe restarão quaisquer amigos. E a maior parte dos auto-amordaçados de hoje virão a terreiro afirmar que já diziam tudo isto há muito tempo. Será mentira: dizer diziam. Mas diziam muito baixinho».

(Excertos do editorial de Ana Sá Lopes, no jornal «i» de ontem)

2 thoughts on “19 de Abril de 2011 – Portugal ainda se deixa enganar?

  1. Sócrates não vive num mundo irreal. Parece mesmo muito estúpido dizer isto mas na verdade, na realidade há muitos Portugueses que vão votar nele e isso será real. Talvez outra característica dos Portugueses é que sejam masoquistas…

  2. Concordo com o Jorge. Temos apenas o que o nosso sistema político escolheu. Com um povo que não se mobiliza para escolher o seu líder, ficou o que representa a maioria dos eleitores que foram votar, alguém que quer comprar coisas que estão na montra, mas como estava com os bolsos rotos, foi arranjar com falinhas mansas. Espero sinceramente que a ultima sondagem que dava maioria ao PS seja um jogo sujo político e não retrate verdadeiramente o povo, caso contrário constatamos é que quem é burro é o povo!

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