8 de Fevereiro de 2010 – Afinal os cortes nas estradas não são para todos

Ainda bem que há «jornalismo de buraco da fechadura», porque, de outra forma, não podíamos, nós próprios, fazer as nossas contas. No editorial do «Jornal de Notícias» de hoje, Rafael Barbosa coloca o «dedo na ferida» sobre os investimentos rodoviários que, primeiro, eram para suspender totalmente, depois só os que não estivessem em andamento, depois não sabemos muito bem. Primeiro, taxativamente se afirmou que só avançavam as vias que tivessem sido adjudicadas. Depois, com a habilidade que se conhece, alargou-se a intenção às que estavam em fase final de concurso. Ora, caso flagrante é a auto-estrada do Centro, a que muitos chamam a «auto-estrada rosa», que deverá custar entre 1400 e 1700 milhões de euros (sim, entre mil e quatrocentos milhões e mil e setecentos milhões de euros). O valor dependerá de quem proceder à construção (ou a Mota-Engil, ou a Soares da Costa). E o processo só não foi mais rápido porque o concurso inicial tinha apresentado valores demasiado altos (parece que a Mota-Engil tinha subido a proposta de 535 milhões para 1100 milhões). Concurso anulado, concurso relançado. Os tais 1100 milhões eram muito, mas agora podemos estar a falar de 1700 milhões. Há qualquer coisa aqui que não bate certo.

«O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, tinha sido absolutamente claro: só avançavam as auto-estradas já adjudicadas. As outras ficavam para ocasião mais abonada. E ficavam auto-estradas por fazer da mesma forma que os funcionários públicos ficavam com os salários congelados. Acontece que, uns dias depois, em pezinhos de lã, lá veio o ministro das Obras Públicas corrigir o discurso para uma versão diferente e “ligeiramente” mais cara. Segundo António Mendonça, além das auto-estradas já adjudicadas, o Orçamento do Estado ainda tem fôlego para algumas das que estão em fase final de concurso. Nem por acaso, um desses pacotes é o das Auto-Estradas do Centro. Uma obra que vai custar entre 1418 e 1701 milhões de euros, consoante a obra seja entregue à Mota-Engil ou à Soares da Costa. Na verdade, seria uma injustiça deixar de fora este projecto por questões administrativas de pormenor. A obra só não está ainda adjudicada porque o concurso tinha sido anulado, à conta do preço excessivo que os consórcios pretendiam cobrar ao Estado. Há uns meses, imagine-se, a Mota-Engil subiu a sua proposta de 535 milhões para 1100 milhões. Um preço inaceitável. Felizmente houve bom senso e promoveu-se um novo concurso. Agora só vai custar 1418 ou 1701 milhões… [Só para o caso de algum leitor notar alguma incongruência, os números são mesmo estes]».

(Rafael Barbosa, Editor Executivo, no editorial do Jornal de Notícias de hoje)

2 thoughts on “8 de Fevereiro de 2010 – Afinal os cortes nas estradas não são para todos

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  2. Pois é amigo,mostra o seu descontentamento com o avanço desta obra porque concerteza não tem que percorrer diariamente o actual IP3 entre Coimbra e Viseu que é um atentado á comodidade e á segurança e para o qual não ha alternativa actualmente

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