14 e 15 de Dezembro de 2013 – Música na prisão de Braga

Passe o tempo que passar, não vou mais esquecer o sorriso rasgado do Gil. O flamenco do João. O olhar profundo do Igor. A timidez do João Paulo. Os rostos a abrirem-se, à medida que íamos fazendo música. Nunca mais vou esquecer as palavras cadenciadas, sentidas, postas lado a lado como um muro, não de uma prisão, mas quase de ouro. Há muitas formas de fazer música, mas esta tem-se revelado a mais surpreendente, a cada passo. Porque ensinamos, aprendemos e ficamos verdadeiramente unidos. Quando me disseram «tens de ir fazer música a uma prisão», primeiro veio a surpresa, depois um sorriso de desafio. Depois, o impacto de sentir a brutal diferença entre o «fora» e o «dentro». Entre a liberdade e a prisão. O resto, foi uma enorme aprendizagem. E o sentimento. Estas podem não ter sido as melhores notas que toquei, mas foram, sem dúvida, das mais sentidas. E o que é a música, se não for sentida?

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