1 de Fevereiro de 2012 – Futebol é política?

O Egipto viveu, recentemente, a chamada «Primavera Árabe», mas nem por isso deixou de demonstrar sintomas de um Estado falhado. Se o controlo sobre as multidões já tinha sido complicado durante as (legítimas) manifestações populares a favor da democracia, o que aconteceu, agora, num estádio de futebol, prova exactamente a falência do Estado. A notícia abriu telejornais, pela proximidade com que Manuel José, treinador português do «Al-Ahly», viveu os acontecimentos. As imagens mostraram-nos, mais do que uma batalha campal, uma autêntica guerra, com toda a inexplicabilidade que uma guerra civil tem. A polícia, diz-se, não agiu, ou preferiu a passividade. Os hospitais, como seria de se esperar, não estavam preparados para uma coisa destas. Pelo que diz Manuel José, antes do início do jogo já havia uma enorme faixa com letras bem legíveis exortando ao massacre. Port Said foi o palco de uma tragédia sem guião. Onde política e futebol se misturaram de uma forma inexplicável, e de cuja única imagem que fica é a das mais de 70 pessoas que perderam a vida, e das muitas outras que ficaram com marcas do que aconteceu. Não é isto a imagem mais nítida de um Estado falhado?

 

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