11 de Janeiro de 2012 – Quando as notícias trazem mentiras

Circulou hoje, de forma rápida, como, de resto, os boatos, uma notícia que dava conta da extinção da secção de cultura da agência «Lusa». A notícia, ao que parece, surgiu num portal chamado «Meios & Publicidade», mas rapidamente alastrou às redes sociais, despoletando a ira (mais do que justificada) das pessoas que ainda acham que vale a pena lutar pela cultura de um país. Só que a ira não era justificada, porque a notícia era falsa. Depois de se saber o que realmente aconteceu, pelo testemunho do director da «Lusa», se relermos a notícia, verificamos que foi escrita com base em expressões como «ao que o M&P apurou» e que foi publicada sem qualquer reacção da «Lusa», porque, lê-se, «até ao momento tal não foi possível». Ficámos a saber, por uma reacção do director da «Lusa», que o que vai acontecer é um reagrupamento de chefias que, ninguém esconde, tem por objectivo a racionalização de custos. E mais. Ficámos a saber que a produção de conteúdo cultural da agência cresceu 30%, com um aproveitamento, por parte dos órgãos de comunicação, de 90%. Sem esquecer que vem aí «Guimarães Capital Europeia da Cultura». Fazer «jornalismo» assim é fácil. Só que se corre este risco. O de transformar rapidamente, e de uma forma completamente assassina, uma notícia numa mentira.

«A decisão de acabar com a editoria de cultura não é inédita. Já a ex-directora de informação da Lusa Deolinda Almeida tomara decisão análoga, tendo sido Luís Miguel Viana, que a substituiu nas funções, a voltar a implementar a secção de cultura na agência de notícias».

(Meios & Publicidade)

«A notícia que [reproduzida] é… obviamente falsa, e quem a publicou, usando abusivamente o símbolo da Lusa, não cuidou de a confirmar junto da Agência. […] Não adianta esclarecer não quem ser esclarecido. […]
1. O que há é, apenas e só, um reagrupamento de chefias, proposto pela Direção de Informação e com o meu apoio.
2. É para racionalizar recursos e custos? É!
3. A Lusa vai diminuir a produção noticiosa nesta área? Nem pensar! Pelo contrário, temos vindo a aumentá-la. Crescemos 30 por cento na produção de conteúdos únicos nos dois últimos anos e, só em 2011, distribuímos 12.4069 peças na área da cultura e das artes, com uma taxa de aproveitamento superior a 90 por cento junto dos nossos clientes – jornais, rádios, tv, sites, etc. (conferir Relatório de Serviço Público, que aliás é sujeito a auditoria externa).
4. Não vamos, pois, diminuir a produção na área cultural, pelo contrário. Tanto mais que temos Guimarães Capital da Cultura e investimos nesse acompanhamento alguns dos nossos mais qualificados jornalistas. Porfiemos».

(Afonso Camões, director da «Lusa», em esclarecimento)

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