22 de Novembro de 2010 – Foi bonita a festa, pá… (sem blindados)

A cimeira da NATO terminou, foi um momento alto para Portugal, que provou ser capaz de organizar um evento de nível global, onde se produzem decisões importantes para o futuro geo-estratégico do mundo. Para manter a segurança e ordem pública, durante a cimeira, o Estado recorreu à compra sem concurso público (invocando a urgência) de seis blindados de protecção policial, para além de mais material de protecção policial, num total de cerca de cinco milhões de euros. A ausência de concurso público deveu-se, tudo indica, à urgência de ter este equipamento disponível para utilização durante a cimeira, o que não aconteceu. A cimeira terminou no sábado. O primeiro blindado chegou… hoje. Convém que alguém seja responsabilizado e esclareça o país quanto às desventuras destes cinco milhões de euros e quanto ao facto de se ter feito esta compra sem recurso a concurso público. Já para não falar na (in)utilidade da compra.

«Eu gostei de ver o primeiro-ministro a ir a correr, depois da cimeira, à PSP, [para] agradecer o esforço de manutenção da segurança, tanto mais significativo quanto, afinal, falharam e não foram necessários os blindados e outro equipamento encomendado à pressa, exactamente para servir as necessidades de segurança da cimeira. (…) O próprio facto de esse equipamento não ter sido necessário é motivo para reflexão e para que se apure: Como? Porquê? A quem? Com que engenharia financeira? O que é que vamos efectivamente ter de pagar relativamente a esses blindados e a esse equipamento que não foi necessário para a cimeira?»

(Ana Gomes, eurodeputada socialista, em declarações à TVI)

1 thought on “22 de Novembro de 2010 – Foi bonita a festa, pá… (sem blindados)

  1. Efectivamente há e houve atropelos e trapalhada nestas adjudicações (vejam-se que os contratos do TGV não podem ser anulados por causa das pesadas multas e o Estado apressou-se a assina-los antes das eleições, mas não acautelou os contratos de compra destes equipamentos).
    Seriam necessários esses blindados? Se calhar não mas também se calhar sim. Felizmente não se tornaram necessários, mas é como os seguros: não precisamos deles, mas continuamos a fazê-los e não é só porque é obrigatório). Podiam ter sido necessários. Mas a questão pode ser vista ainda de mais ângulos: não haveria outras soluções? Quiçá até na Europa? Não haveria por aí na GNR solução técnica para o mesmo efeito?
    São de facto muitos atropelos que se antes eram necessários, agora que nem a tempo os equipamentos chegaram, mais explicações são obrigatoriamente necessárias.

    Jorge Amorim

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