13 de Abril de 2010 – A Ministra da Cultura defende o (des)acordo ortográfico, o que é francamente mau

O primeiro impacto foi o de pensar que não podia ser, mas, lendo e relendo, fica um tremendo amargo de boca pelas palavras convictas (sempre convictas) da Ministra da Cultura acerca do tremendo erro que é o tal (des)acordo ortográfico. Como se não bastasse todos nós sentirmos (e sabermos) que com isto abdicamos de boa parte (toda?) a nossa identidade enquanto povo, e que vai ser lançado o absoluto caos sobre a utilização de uma das línguas mais ricas, senão a mais rica, há subtilezas que ainda contribuem mais para o ridículo da situação. O Governo encomendou a concepção de um conversor electrónico, bem como (pasme-se) um vocabulário, para que todos possamos usar e saber como converter a nossa língua para essa coisa que vamos passar a utilizar. É mau. Mau demais. Que nos tirem a nossa língua, que lancem sobre nós a confusão, que se adopte o caminho mais fácil, e, como se não bastasse, ridicularizem-nos, obrigando-nos a termos de andar de «máquina de calcular» para podemos falar a «nossa» língua uns com os outros. Por favor, digam (ou façam com) que isto não seja verdade…

«Será 2010 o ano da entrada em vigor do Acordo Ortográfico?

Será, com certeza. Está a ser feita uma articulação entre o MC, o Ministério da Educação, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a PCM, que tutela a Imprensa Nacional-Casa da Moeda e o “Diário da República”. Vai ser produzida uma resolução do Conselho de Ministros, muito em breve, que vai fasear e dar indicações ao longo do ano 2010 a cada organismo do Governo para começar a aplicar o Acordo. Estão a ser dados passos todos os dias. Estamos a aguardar que nos seja entregue um conversor e um vocabulário feitos por encomenda do Governo, que serão de descarga grátis para qualquer pessoa ou instituição e que será um instrumento fundamental para que todos o possam ir integrando no seu quotidiano».

(Revista «Única»; edição do jornal «Expresso» de 10 de Abril de 2010)

Foto: Expresso

4 thoughts on “13 de Abril de 2010 – A Ministra da Cultura defende o (des)acordo ortográfico, o que é francamente mau

  1. Fico contente é pelo conversor ser grátis… vocês não ficam e estou ansioso por recebe-lo para o meu dia a dia profissional. Estou farto de escrever Arquitectura com o raio do “C” … espero que ele saia.

    Quanto à Toirada, não será que a Ministra quis dizer tradição??!! Isso sim… tal matança do porco.

  2. Caro Nobre Silvestre
    Não estejas tão certo dessa gratuitidade… afinal já vamos pagar todos o tal “vocabulário” encomendado. O Conversor será pago da mesma forma (nunca tinha ouvido falar em tal absurdo, mas enfim…).

    Mas se queres tirar o “C” da arquitectura, retira. Aliás, retira também o “u” pois não o pronuncias.
    Não leves a mal as minhas palavras. Não tenho por hábito ser contundente com ninguém e não o estou a ser contigo.
    Mas o tal “acordo” é demasiado ridículo para ser verdade e ainda por cima nos vai ser imposto.
    Terás os teus motivos para retirar algumas letras. Eu terei sempre os meus motivos para não retirar nenhuma delas até que eu morra.
    Não faz sentido que se continue a escrever Pharmácia e os desses tempos terão certamente falado também como eu. Mas uma coisa é nós fazermos uma evolução à nossa língua, outra é permitir que outros nos venham “impor” a sua maneira de falar a nossa língua, apenas porque são mais (em número) que nós (ou será “nóis”???

    JA

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