14 de Março de 2010 – Vitalino irritou-se

Vitalino Canas, a voz do PS, irritou-se. E irritou-se, não porque o país está mal, não porque o desemprego grassa, não porque divergimos da Europa, não porque o Primeiro-Ministro continua embrulhado em várias histórias não resolvidas, não porque o (des)investimento público é mal gerido, não porque há uma deputada do seu partido que, por ter residência oficial em Paris, continua a receber honorários acrescidos, sem dever ter direito a eles. Não por nada disto. Vitalino irritou-se porque o PSD alterou os seus estatutos, de forma a sancionar com expulsão os militantes que revelem desrespeito pelo programa, pelos estatutos, pelas directrizes do partido. Ou seja, o PSD e o seu funcionamento interno são mais importantes para o porta-voz do PS do que o país. Aliás, a utilização da primeira pessoa na sua declaração vincula-o mais a si próprio do que ao partido que representa, o que nos deixa mais sossegados. Quem conhece o funcionamento interno dos partidos, nomeadamente no que diz respeito às campanhas eleitorais, sabe bem que é extremamente penoso ver companheiros de partido dissidirem, e lutarem contra os que diz serem seus companheiros. Esta norma está presente nos estatutos e regulamentos internos de várias instituições, sejam elas associações, IPSS, ou outras. Mas, aparentemente, irrita alguns. Curiosamente, do outro lado da trincheira.

«Fiquei incrédulo e estupefacto quando tomei conhecimento dessa alteração estatutária. A confirmar-se essa alteração estatutária, quase 36 anos após o 25 de Abril de 1974, estaremos perante uma verdadeira lei da rolha, uma lei estalinista implementada por um partido democrático».

(Vitalino Canas, em conferência de imprensa após o Congresso do PSD)

9 thoughts on “14 de Março de 2010 – Vitalino irritou-se

  1. Esta é…
    A Ìnclita Geração Rasca
    Que nos deixa … de Calças na Mão
    A cada dia que passa..!
    Difícil será fazer diferente (penso eu…de que)

  2. Como então estamos proibidos de criticar os politicos. Caro F da Silva esta novidade enquadra-se perfeitamente no que te aconteceu. Só lamento é que venhas dar razão aquilo que tu proprio não concordaste na altura. Sendo assim, viva o que nos interessa no momento. De qualquer maneira lamento o foi aprovado. Há que corrigir este lapso. E já falamos do congresso, reparaste no cortejo que cada candidato trazia atraz de si ? Tudo à espera da panela. Assim vai o nosso País. São todos iguais Não há diferenças entre os partidos.

    • Caro JSS

      Não se trata de qualquer proibição de criticar os políticos nem tão pouco tem paralelo com o que me aconteceu. Trata-se de meter a foice em ceara alheia esquecendo-se que tem paredes de vidro. Trata-se e querer ingerir na vida interna (livre!) de outros partidos politicos esquecendo-se que tem uma norma em tudo idêntica nos seus próprios estatutos.
      Pessoalmente não concordo com a existência desse tipo de normas apesar de compreender que lideres passados do P.S.D. passaram mais tempo a combater, mesmo em período eleitoral, os opositores internos do que os adversários políticos.
      No entanto, como Churchil dizia em tempos ao seu filho quando lhe servia de cicerone no parlamento Inglês, e quando sentado na bancada destinada ao seu partido ,por este foi interpelado se os inimigos se sentavam do outro lado, ao que respondeu: “não meu filho, daquele lado estão os adversários, os inimigos estão mesmo deste lado”
      Na verdade, o que se pretende é desviar a atenção do país dos verdadeiros e graves problemas que atravessa por culpa de 15 anos de (des)governo quase ininterrupto por parte do P.S. com questões menores e, pasme-se(!), agora até o Chico Assis quer levar o assunto a debate parlamentar. Lá teremos que pagar a deslocação à Medeiros de Paris a Lisboa para discutir isto.
      É preciso pachorra.

  3. Caro Ivo,

    A indignação não é só do outro lado da trincheira… António Barroso, Pedro Bacelar, os candidatos a líderes, Marques Mendes, Filipe Menezes…

    E não vale a pena falar dos outros problemas. Os portugueses conseguem processar mais de um problema ao mesmo tempo, não te preocupes.

  4. Meus caros,

    já sabemos o que temos!
    e o mais é que alguns de nós temos vindo a votar nestes ilustres!!

    ai qd eu puder saber quem é o deputado que eu elegi.!!
    ai, e se eu puder correr com ele, se ele fizer o contrário do que me prometeu!
    Ai, ai: até parecemos uns felizes!!

    Apre! com tanta canalhice!!!

    um abraço
    inquieto

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