9 de Março de 2010 – As «gaffes» dos políticos

O jornal «I» apresenta hoje uma interessante colectânea de «gaffes» de políticos. Umas vezes levados pela emoção do momento, outras pela imaturidade, outras, ainda, pelo desconhecimento dos assuntos de que falam, e outras procurando um toque de humor desastroso. As «gaffes» e os políticos têm uma convivência salutar, e quando há comunicação social por perto a coisa ganha outras proporções. Os políticos sofrem de dois males terríveis. Um, é o de pensarem que dominam completamente os assuntos de que falam. Outro, é o de pensarem que dominam a comunicação e controlam os seus efeitos. Dois pressupostos absolutamente fatais para que se concretize a famosa «lei de Murphy», segundo a qual tudo o que pode correr mal irá correr mal. Enquanto os políticos não se aperceberem de que precisam dos técnicos para os ajudarem a conseguir dominar os assuntos (seja a construção de uma estrada ou a lidar com a pressão de um jornalista que quer ter notícia), situações como estas irão acontecer.

Morais Sarmento, 2010: «Cada vez que o Presidente da República fala sentimos um mau hálito político do lado de cá da televisão».
O antigo ministro de Durão Barroso, em entrevista ao “Diário Económico”, lançou ontem um alerta para a possível derrota de Cavaco nas presidenciais.

Mário Lino, em Junho de 2007: «Na margem Sul jamais, jamais [em francês]».
O ministro da Obras Públicas recusou mudar o novo aeroporto da OTA para Alcochete. Mas a realidade desmentiu-o pouco depois.

Manuela Ferreira Leite, Setembro de 2009: «É como o filho que mata o pai e a mãe para dizer que é órfão».
Criticando a vitimização de José Sócrates.

Cavaco Silva, em Dezembro de 2007: «O que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?»
Quando falava sobre a baixa natalidade.

Manuela Ferreira Leite, em Maio de 2009: «Eu não acredito em reformas quando se está em democracia. Quando não se está em democracia é outra conversa: eu digo como é que é e faz-se. E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, põe-se tudo na ordem e então depois venha a democracia».

Almeida Santos, em Maio de 2007: «A margem Sul tem um defeito, que é precisar de pontes para passar para o lado Norte. Suponha que é dinamitada uma ponte… suponha! Porque hoje o terrorismo está na ordem do dia…»
Durante o debate sobre as virtudes da Ota ou Alcochete para construir o novo aeroporto, o presidente do PS invocou o terrorismo para defender a Ota.

Santana Lopes, em Dezembro de 2004: «Este é um governo a quem ninguém deu quase o direito de existir antes dele nascer, e que, depois de nascer através de um parto difícil, teve que ir para uma incubadora e vinham alguns irmãos mais velhos e davam-lhe uns estalos e uns pontapés».
O então primeiro-ministro reagia às críticas dos barões do PSD contra o seu governo.

José Sócrates, Maio de 2007: «Cada um de vós dará o seu melhor para um país mais justo, para um país mais pobre… perdão… mais solidário».
Num discurso sobre a nova lei da nacionalidade, em Maio de 2007, o primeiro–ministro quis deixar “uma mensagem de confiança” ao país. Mas tropeçou nos argumentos.

Manuel Pinho, Janeiro de 2007: «Somos um país competitivo em termos de custos. Nomeadamente os custos salariais são mais baixos do que na média da União Europeia».
Numa visita oficial à China, o ministro da Economia enalteceu os salários baixos de Portugal face à restante UE.

Carmen Pignatelli, Secretária de Estado-adjunta, em Maio de 2007: «Vivemos num país em que as pessoas são livres de dizer aquilo que pensam… desde que seja nos locais apropriados».
Sobre suspensão de um professor que criticou Sócrates.

Alberto João Jardim, Junho de 2005: «Há uns bastardos da comunicação social do continente, digo bastardos para não dizer filhos da puta, que aproveitaram este ensejo para desabar ódio sobre a minha pessoa».
A polémica sobre a acumulação de reformas e ordenados, em Junho de 2005, motivou a reacção contundente do presidente do governo da Madeira
.

Carlos Borrego, em 1993: «Sabem o que é que no Alentejo, em Évora, melhor dizendo, fazem aos cadáveres das pessoas que morreram ultimamente? Mandam-nos para reciclar para aproveitar o alumínio».
Depois da morte de 25 doentes da Unidade de Hemodiálise do Hospital de Évora, o ministro do Ambiente partilhou esta anedota numa rádio local. Demitiu-se no dia seguinte.

(Em www.ionline.pt)

3 thoughts on “9 de Março de 2010 – As «gaffes» dos políticos

  1. Infalível…quem?
    Lapsus linguae – às vezes
    porque nem sempre dizemos
    o que nos vai na alma…
    essa será uma das diferenças entre quem serve,
    e, quem, utilizando os outros, ainda consegue…
    direito a medalha no 10 de junho,
    com ordem e comenda,
    á custa do dinheiro e trabalho dos outros
    Adoro Beneméritos que atropelam tudo e todos e a Gramática…
    e a ética e a poética e a escala diatónica …e a idiossincrasia..
    e…matemática …e música
    Passem mas é a Valsinha das Medalhas do Tê e Rv, porque a RRA
    Não passa.
    “Encosta o teu peito ao meu…
    Quem és tu donde vens
    Conta-me lá dos teus feitos…..

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