7 de Outubro de 2009 – «Suicídio colectivo» na France Telecom

ftAs dinâmicas económicas e empresariais da actualidade são complexas, bem o sabemos. Mas o que não sabíamos era que poderiam descambar num autêntico «suicídio colectivo», como o que tem sucedido na «France Telecom». Em 19 meses, 24 trabalhadores suicidaram-se, sem contarmos com tentativas falhadas, que foram mais de uma dezena. A «France Telecom» colocou «na rua», nos últimos quatro anos, mais de 20 mil trabalhadores, o que diz bem do sentimento que, entretanto, deve ter tomado conta de quem foi ficando, com o peso de saber que, a qualquer momento, pode também ser escravo do esquema de cortes. Vivemos na era da precaridade, do temporário, do incerto, de «empurrar para o futuro» os sonhos, anseios, vontades, desejos, projectos. Na era da pressão, do pagar pouco por muito, de uma outra espécie (ou de outras espécies) de escravatura. Não seria preferível ter pessoas parcialmente descontentes com o seu trabalho do que desempregadas? Não seria preferível estar vivo? Ou será o desemprego (desesperante) o ponto mais fundo onde se pode «bater»?

1 thought on “7 de Outubro de 2009 – «Suicídio colectivo» na France Telecom

  1. Em completo desacordo;
    Na génese daquilo a que estamos a assistir, tranquilamente e no sofá, até que a desgraça nos bata á porta e tenhamos que engrossar a fila dos pobres envergonhados ou dos suicidas corajosos.
    Porque os gurus ou executores destes modelos (neo quê???) são mudados, não despedidos…
    O caso France Telecom é como outro qualquer…só que mais visível.
    Cá no nosso cantinho, e até porque poderia estragar estatísticas, não se faz referencia a atitudes suicidas, porque, como sabemos a vida é dom de Deus e não nos compete pôr termo a ela – e quem o fizer de certeza que vai p`ró inferno.
    Ora como nós já temos o nosso inferno em vida, de certeza que quando morrermos depois de aguentar tudo isto vamos para o céu (quase todos, principalmente os bons malandros).
    Ora cá está um bom “case study” para os estudiosos da psicologia (comportamental, social, quântica – é a minha única especialização) independentemente da etapa escolar em que se encontram, porque da dúvida nasce a inquietação…e ás vezes surge a vontade de mandar tudo ás malvas, de desistir, como hoje alguém muito querido me dizia…e só pude dizer – não desistas e quando precisares de um ombro amigo….Mas é a dúvida o grande motor.
    Como não sou Psi ortodoxo, permito-me falar assim, mas que diabo, já sou Padrinho de uma e espero vir a ser padrinho de mais alguém, independentemente de idade género e estado porque o saber não ocupa lugar e como diz o provérbio (será russo?) “ainda que vivas cem anos …nunca deixes de aprender…”
    Estes são sinais dos tempos; ignorá-los é, isso sim, Suicídio Colectivo.

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