21 de Janeiro de 2009 – Obama, day one

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O homem do momento está aí. «Yes, we can!», foi a afirmação mobilizadora. E pôde. E é. Barack Obama é, agora, Presidente dos Estados Unidos da América. Líder do país mais importante do mundo. Provavelmente o homem mais importante do mundo. Durante a cerimónia de «inauguração», pareceu-me particularmente interessante o momento em que o homem descontraído e determinado, ciente do seu poder, da sua responsabilidade e dos seus objectivos, hesitou, durante o juramento. Nada de relevante, talvez, mas interessante. Obama hesitou, mas rapidamente abriu o sorriso habitual e prosseguiu, calmamente.

«Eu, Barack Hussein Obama, juro solenemente que cumprirei fielmente as funções de Presidente dos Estados Unidos, e farei o melhor que estiver ao meu alcance para preservar, proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos». Foram estas as palavras que iniciaram a «nova era» da América, coroando o que o mundo designou como «um dia histórico».

obama-02Este momento contrastou claramente com o seu discurso. Por várias razões. Desde logo, porque tinha ao seu dispor os modernos «telepontos», mas também porque pôde contar com os contributos dos seus «speech-writers» («escritores de discursos»), que se deu ao luxo de «polir» e até mesmo corrigir. O resultado final, foi uma intervenção praticamente aclamada por todos os especialistas, tocando praticamente todos os temas, problemas, anseios e vontades que havia para tocar. Obama deixou de ser o «transportador» do «sonho americano» para se tornar em «POTUS» (President of the United States of America). Deixou o «Yes we can!» e adoptou o «All this we can do». Li hoje no Público uma frase marcante, de Roger Simon: «Ninguém se lembra das palavras das administrações que falharam. São os grandes presidentes que tornam imortais as grandes palavras». É isso que se espera de Barack Hussein Obama.

obama-3O mundo está a viver um estranho sentimento de que uma certa utopia é possível de concretizar. José Saramago, no seu blog, publica hoje um texto tocante, pleno de esperança, que lança a interrogação: «Donde vem este homem?». Tudo isto é, de facto, histórico, mas não nos basta que se esgote nesta meta, neste acontecimento. Em Portugal, já o sabemos, estamos fartos da Política e dos políticos. Prevemos antecipadamente sempre mais do mesmo. Sabemo-lo. Agora, na América e no mundo, há uma onda que parece diferente. Um pragmatismo novo. Um ar novo que se respira. Hoje é o «day one» de Obama na mais famosa «Casa Branca» do mundo. José Saramago, bem, pergunta-se «donde vem». Mas precisamos, no fundo, de saber é, depois de tudo isto, «Para onde vai Obama?».

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