16 de Janeiro de 2009 – Ontem ocorreu o maior despedimento colectivo nos «media» nacionais desde os anos 80

controlinvesteO título é tão grande quanto o tamanho da minha indignação. Ontem, quando chegava de uma manhã pelas escolas, a M. anunciava-me que iam despedir cerca de 30 pessoas no «Jornal de Notícias». Na altura, estava longe de perceber o verdadeiro alcance do que me estava a surgir na janela do monitor. A «Controlinveste», propriedade de Joaquim Oliveira e detentora de títulos como o «Jornal de Notícias», o «Diário de Notícias», o «24 Horas» e «O Jogo», para além da «TSF – Rádio Notícias», e da «Sport TV», foi bastante mais longe que isso. Estamos a falar de um total de 122 trabalhadores, dos quais mais de 50 são jornalistas. O motivo é o que estamos fartos de ouvir: a crise.

Desde os encerramentos de «O Diário», «Diário de Lisboa» e «Diário Popular» que não se conhecia um despedimento colectivo desta dimensão. No «Jornal de Notícias», pelo que se sabe, foram informados do despedimento 27 jornalistas e 7 funcionários de apoio à redacção. Ficam diminuídas, no «JN», a secção de Fotografia, prescindindo de enormes profissionais, bem como as delegações de Aveiro, Braga, Coimbra, Leiria e Viseu. A secção «Mundo» passa a ser repartida com o «DN», que fica sem 22 jornalistas. «O Jogo»perde 17 trabalhadores e o «24 Horas» fica sem a delegação do Porto, com 10 funcionários. O egoísmo faz-nos pensar que, por enquanto, estamos «à tona», mas ninguém será insensível ao ponto de não se solidarizar com esta gente, que diariamente trabalhou com um profissionalismo quase sempre acima da média, frequentemente pouco reconhecido, votados ao anonimato, para, diariamente nos fazerem chegar notícias fresquinhas, em jornais bem paginados, com excelentes fotografias e textos. É injusto. Para estas pessoas, e para as suas famílias, que se vejam privadas de exercerem a sua vocação e o seu talento.

Já hoje, a «Google» anunciou que 100 dos seus trabalhadores têm o seu emprego em risco, 70 dos quais ligados aos laboratírios de engenharia, nos Estados Unidos, na Suécia e na Noruega. E chegamos sempre a uma das expressões que mais ouvimos e dizemos: «Isto está bonito, está!»

(Sei que isto valerá de pouco, mas a estes profissionais queria deixar a minha mais profunda solidariedade).

1 thought on “16 de Janeiro de 2009 – Ontem ocorreu o maior despedimento colectivo nos «media» nacionais desde os anos 80

  1. Se ao nível da “primeira liga” é assim, imagina nas “divisões” distritais ou locais…

    A esta altura do “campeonato” é bom que tenhas a noção que és um privilegiado.

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